China acusa Dalai Lama de manipular opinião pública mundial

segunda-feira, 28 de abril de 2008 11:35 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - A China criticou mais uma vez o Dalai Lama, nesta segunda-feira, acusando o líder espiritual do Tibet de manipular a opinião pública e os governos do Ocidente, apenas alguns dias após ter sugerido a realização de negociações com os tibetanos.

O governo chinês tem acusado os assessores do líder budista exilado de serem os responsáveis pelos distúrbios ocorridos em Lhasa e em outras regiões tibetanas, que teriam por meta atrapalhar a Olimpíada de Pequim, em agosto.

No entanto, após várias pressões internacionais para dialogar com o Dalai Lama, a China anunciou inesperadamente, na sexta-feira, que pretende reunir-se com os representantes dele dentro de alguns dias. O país asiático não deixou, porém, de criticar o líder budista.

"Após cinco décadas morando no exílio, o grupo do Dalai Lama aprendeu a chamar a atenção do Ocidente citando assuntos como os direitos humanos, a paz, a proteção do meio ambiente e da cultura, entre outros", disse a agência chinesa de notícias Xinhua, em um comentário.

"Mas eles nunca dizem uma única palavra sobre a servidão desumana existente no Tibet sob o domínio deles", afirmou.

O Dalai Lama, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, engana os estrangeiros ao dizer que não planejou os distúrbios ocorridos na capital do Tibet (Lhasa), no mês passado, e ao afirmar que apóia a Olimpíada, acrescentou a Xinhua.

"Alguns dos envolvidos que se entregaram à polícia confessaram que os assessores do Dalai Lama são os arquitetos dos distúrbios em Lhasa", disse.

"O fato de os assessores do Dalai Lama manterem um governo no exílio e o fato de que separatistas tibetanos atrapalharam o périplo mundial da tocha olímpica apenas mostram não passar de mentiras as afirmativas dos assessores do Dalai Lama de que não buscam a independência e de que dão apoio aos Jogos Olímpicos."

Manifestantes pró-Tibet compareceram em vários locais de passagem da tocha olímpica pelo mundo, sempre provocando reações indignadas do governo chinês.   Continuação...