ENTREVISTA-China teme ameaça interna na Olimpíada, diz Interpol

quinta-feira, 12 de junho de 2008 15:05 BRT
 

Por Mark Trevelyan

LONDRES (Reuters) - A China está mais preocupada com ameaças terroristas internas do que internacionais e vem mobilizando recursos sem precedentes para garantir a segurança dos Jogos Olímpicos de Pequim, afirmou nesta quinta-feira o chefe da Interpol.

Ronald Noble disse que eventuais militantes estrangeiros teriam dificuldade para operar dentro do território chinês, mas que isso não significava necessariamente que os riscos de um atentado terrorista fossem menores do que nas duas Olimpíadas anteriores, realizadas em Sydney e em Atenas.

"Eu posso assegurar que as autoridades chinesas disseram estar mais preocupadas com as ameaças terroristas surgidas internamente do que com as vindas de fora ou as inspiradas por atividades relacionadas com o cenário internacional", afirmou o chefe da Interpol à Reuters, em uma entrevista concedida por telefone.

Segundo Noble, as manifestações pró-Tibete responsáveis por atrapalhar o périplo internacional da tocha olímpica no começo deste ano fizeram aumentar a preocupação com a possibilidade de "pessoas usarem a Olimpíada a fim de marcar posição contra a China."

"Mas as autoridades chinesas mobilizaram mais recursos do que qualquer outro país antes a fim de garantir que não haja problemas nos Jogos. E a China é um país muito difícil para um agente estrangeiro operar sem ser detectado", afirmou.

"E, por esse motivo, do ponto de vista da Interpol, posso dizer com toda a honestidade que não há nada mais que a China deveria estar fazendo ou poderia fazer para garantir a segurança da Olimpíada."

Noble disse, em um discurso proferido em Pequim, em abril, que havia uma "possibilidade real" de os Jogos serem alvo de atentados terroristas.

Na entrevista, o chefe da Interpol deixou claro que esse comentário não se baseava em qualquer informação específica.   Continuação...