Sudão critica Spielberg por deixar Olimpíada devido a Darfur

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 16:00 BRST
 

Por Andrew Heavens

CARTUM (Reuters) - O Sudão afirmou na quinta-feira que a decisão do diretor de cinema norte-americano Steven Spielberg de boicotar os Jogos Olímpicos devido à crise em Darfur baseava-se em "informações equivocadas" e ignorava o papel positivo desempenhado pela China na região.

Spielberg abandonou o cargo de diretor artístico dos Jogos na terça-feira acusando a China de não pressionar, com contundência, o governo sudanês para que cessem as atrocidades ocorridas naquela região, localizada no oeste do país africano.

A decisão dele foi elogiada por rebeldes de Darfur, mas o Sudão disse que ela não teria impacto nenhum sobre a China ou sobre o evento esportivo.

"Acreditamos que essa decisão baseia-se em informações equivocadas", afirmou Ali al-Sadig, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Sudão.

"Acreditamos que ele não está muito ciente do papel positivo que a China desempenha em Darfur. O país desempenha um papel positivo no envio de ajuda, tanto em termos humanitários quanto em termos gerais."

"E a China também mandou forças de paz para lá", acrescentou.

O país asiático disse várias vezes que se preocupa com a situação humanitária do Sudão e que tenta contribuir para a solução do problema com as pressões feitas por seus diplomatas e com os investimentos feitos por suas empresas.

Mais de 300 engenheiros militares da China trabalham em Darfur como parte de uma força de paz de 26 mil integrantes formada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Africana (UA).

O governo chinês também nomeou um enviado a Darfur, o diplomata veterano Liu Gujin, que pediu a todos os lados envolvidos no conflito que dêem provas de moderação.

Grupos ativistas acusam a China de vender armas para o Sudão e de custear o regime desse país ao comprar uma grande parte do petróleo produzido ali.