16 de Fevereiro de 2008 / às 13:29 / 10 anos atrás

Atletas tentam evitar pressão para falar de política nos Jogos

Por Nick Mulvenney

PEQUIM (Reuters) - Apesar do recuo das autoridades britânicas na regra que pretendia "amordaçar" os atletas na Olimpíada de Pequim, muitos participantes dos Jogos se queixam da pressão para que se manifestem a respeito de questões políticas.

A Associação Olímpica Britânica havia preparado um contrato, a ser assinado por todos os seus atletas, proibindo-os de comentar "quaisquer questões politicamente sensíveis" durante os Jogos. A entidade, porém, recuou diante das acusações de censura.

Os comitês olímpicos nacionais de Estados Unidos, Canadá, Austrália, Alemanha, Japão e Espanha, entre outros, já anunciaram que não vão restringir o que seus atletas tiverem a dizer em Pequim.

"Certamente não é nossa intenção dizer aos atletas como pensar ou o que podem dizer", afirmou Chris Rudge, presidente do Comitê Olímpico Canadense. "Esperamos que usem o bom senso. Eles são homens e mulheres brilhantes, inteligentes, e temos confiança de que vão se portar de forma a deixar os canadenses orgulhosos."

A preocupação de alguns atletas é justamente o contrário. Eles não gostam de serem pressionados a falar contra a situação dos direitos humanos na China ou mesmo a seguir o exemplo de Steven Spielberg, que desistiu de dar consultoria artística aos Jogos em protesto contra a tolerância do governo chinês à situação em Darfur (Sudão).

A canoísta italiana de origem alemã Josefa Idem, de 43 anos, que disputa sua sétima Olimpíada, admite que inicialmente foi contra a realização dos Jogos "em um país anti-democrático como a China".

"Mas agora que decidiram ir para lá, sou contra aplicar pressão por objetivos políticos usando a pele dos atletas", afirmou.

A tenista belga Justine Henin, que já foi campeã olímpica, disse nesta semana que esporte e política devem "ficar separados. É claro que estou preocupada com a política que cerca os Jogos. Mas vou lá para o jogo de tênis, não para o jogo político".

O pentacampeão olímpico Michael Johnson disse haver uma "tremenda pressão" sobre os atletas jovens, e pediu à imprensa que pare de fazer perguntas sobre questões políticas.

"Muitos desses atletas não têm conexão alguma (com a China) a não ser que vão competir lá e representar seus países durante o que deveria ser um dos grandes momentos das suas vidas", escreveu ele em um jornal britânico.

"Não se deve pressupor que, porque um atleta compete em Pequim e não se manifesta sobre o histórico da China, ele concorda com isso ou não se importa."

Grupos políticos vão certamente tentar influir nos Jogos. Nesta semana, uma ONG ofereceu gratuitamente camisetas com mensagens pela independência do Tibete a qualquer atleta olímpico que desejar. "É só nos informar o seu tamanho", dizia a mensagem da Campanha Tibete Livre.

O estatuto olímpico proíbe "qualquer tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial em quaisquer locais e instalações olímpicos".

"Vamos nos basear na Carta Olímpica como guia", disse um porta-voz do Comitê Olímpico dos EUA. "Esperamos que nossa delegação cumpra a Carta Olímpica, mas não haverá restrições ou proibições à liberdade de expressão por parte do Comitê Olímpico dos EUA."

Com reportagem de Julian Linden em Sydney, Steve Keating em Toronto, Paul Virgo em Roma, Ben Blanchard, Simon Baskett em Madri, Darren Ennis em Bruxelas e Mitch Phillips em Londres

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