1 de Maio de 2008 / às 16:27 / 9 anos atrás

Tensão segue tocha olímpica para dentro da China

Por James Pomfret

HONG KONG (Reuters) - Manifestações de indignação e momentos de tensão voltaram a ocorrer na quinta-feira apesar do regresso da tocha olímpica à China, finalizando um périplo internacional marcado por protestos contra as ações repressivas do governo chinês no Tibet.

Centenas de chineses realizaram atos na frente de lojas da cadeia de supermercados francesa Carrefour, que se tornou alvo de uma campanha nacionalista devido à conturbada passagem do símbolo dos Jogos por Paris.

Três ativistas tibetanos impedidos de viajar para Hong Kong, onde na sexta-feira ocorre a primeira parte da viagem da tocha por dentro da China (viagem essa prevista para durar três meses), advertiram que a chama reacenderá os distúrbios ao passar pelo Tibet, em junho.

"Os tibetanos farão tudo o que puderam para protestar durante a passagem da tocha", afirmou Lhadon Tethong, diretora-executiva do grupo Estudantes pelo Tibet Livre e uma dos três ativistas impedidos de entrar em Hong Kong no começo desta semana.

"Claramente, o périplo da tocha olímpica já está resultando em uma maior repressão dentro do Tibet e em um aprofundamento do clima de terror ao qual os tibetanos já se viam submetidos", acrescentou a ativista.

Em março, sob a liderança de monges budistas, ocorreram no Tibet as piores manifestações anti-China das últimas duas décadas. Segundo o governo chinês, 18 civis inocentes foram mortos naqueles distúrbios.

O motim e a ação repressiva lançada pouco depois chamaram a atenção do mundo para a região do Himalaia em um momento desfavorável para os líderes do Partido Comunista da China, que apostam nos Jogos Olímpicos de Pequim para destacar a modernidade e a prosperidade de seu país.

Em um sinal de que as tensões persistem a menos de cem dias do início das Olimpíadas, em agosto, meios de comunicação oficiais da China noticiaram nesta semana que um policial e um suposto líder dos motins morreram durante um tiroteio ocorrido em uma parte tibetana do oeste da China.

MIA FARROW CONSEGUE ENTRAR

A China acusa o líder espiritual do Tibet no exílio, Dalai Lama, de ter arquitetado os distúrbios naquela montanhosa e remota região invadida pelas forças chinesas em 1950. O monge budista, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, rebate as acusações e diz que não deseja a independência de sua terra natal.

Autoridades de Hong Kong deportaram seis ativistas nesta semana antes da chegada da tocha olímpica àquela região, na sexta-feira, possivelmente devido a temores de que se repetissem os atos de indignação verificados em Londres, Paris e San Francisco.

A atriz Mia Farrow, no entanto, conseguiu permissão para entrar em Hong Kong na quinta-feira a fim de fazer um discurso supostamente crítico às relações da China com o Sudão, outro assunto que, na opinião de ativistas, seria um nervo exposto passível de ser atingido antes dos Jogos Olímpicos.

"Acreditávamos haver grandes chances de que chegássemos ao aeroporto e fôssemos embarcadas de novo em um avião para regressar de onde tínhamos partido", afirmou Jill Savitt, diretora-executiva do grupo Sonho por Darfur, que acompanhou Farrow.

Mas a ativista disse que ela e a atriz foram "recebidas gentilmente" em Hong Kong, após terem ouvido de autoridades da imigração que qualquer distúrbio na passagem da tocha não seria visto com bons olhos. Farrow deve discursar no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong na sexta-feira.

Grande parte das esperanças e do orgulho chineses está investido em um grupo de alpinistas que pretende levar a tocha olímpica à montanha mais alta do mundo, o Everest.

Na quinta-feira, porém, os montanhistas encontravam-se presos em um acampamento avançado, do lado chinês do Everest, à espera de condições climáticas mais favoráveis para subir o pico de 8.848 metros de altitude.

"Normalmente, há uma janela de três ou quatro dias de tempo bom na primeira semana de maio", afirmou Sun Bin, um diretor de projeto e ex-campeão chinês de alpinismo. "Queremos tentar aproveitar essa janela para chegar ao cume."

Como parte dos esforços para criar uma Olimpíada relativamente livre do cigarro, as autoridades de Pequim ampliaram as restrições sobre o fumo em locais públicos com vistas a abarcar as áreas de prática esportiva, os parques, os transportes públicos e as escolas. Nos restaurantes e nos hotéis, continua sendo permitido fumar.

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