Desertores do Pan deveriam voltar ao boxe, diz ex-campeão

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 21:11 BRST
 

HAVANA (Reuters) - O tricampeão olímpico de boxe Teófilo Stevenson disse na quinta-feira que seus compatriotas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara "se equivocaram" ao deixar a delegação de Cuba nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, mas que não podem ser considerados traidores.

O bicampeão olímpico Rigondeaux, da categoria até 54 kg, e Lara, campeão mundial da categoria até 69 kg, foram repatriados para Cuba, supostamente a pedido deles próprios, depois de passarem alguns dias no Brasil.

"Se os presos cubanos se formam na universidade, às personalidades pode-se dar uma oportunidade para que continuem no boxe", opinou Stevenson à Reuters, ressaltando que a decisão não cabe a eles.

"Vamos dizer que se equivocaram", disse Stevenson, 55 anos. "Cometeram uma grave indisciplina, mas têm direito a uma oportunidade", disse o famoso pugilista por telefone, de sua casa, em Havana.

Após a repatriação, Rigondeaux e Lara foram afastados da seleção cubana. Estão em casa, à espera de uma decisão das autoridades.

O líder cubano, Fidel Castro, os acusou inicialmente de terem traído a pátria por um punhado de dólares -- eles teriam sido recrutados para o pugilismo profissional, mas desistiram, e seu futuro esportivo agora é incerto.

Por causa do episódio no Pan do Rio, Cuba decidiu não participar do Mundial de Boxe em Chicago, em outubro, para evitar que outros atletas desertassem.

"O atleta que abandona sua delegação é como o soldado que abandona seus companheiros no meio do combate", escreveu Fidel num artigo em meados de 2007.

Stevenson, medalha de ouro nos Jogos de Munique-72, Montreal-76 e Moscou-80, disse que seus dois compatriotas "simplesmente fraquejaram e estão arrependidos".

(Reportagem de Nelson Acosta)