16 de Maio de 2014 / às 00:22 / em 3 anos

A menos de um mês da Copa, protestos reúnem milhares em várias cidades

Integrantes do MTST bloqueiam uma rua durante protesto contra a Copa do Mundo, em São Paulo, nesta quinta-feira. 15/05/2014 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A menos de um mês da abertura da Copa do Mundo, manifestações reuniram milhares de pessoas que protestavam em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília contra a realização do Mundial no país e por moradias e melhores serviços públicos.

No início da noite, 1.200 manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, uma das mais importantes vias paulistanas, enquanto cerca de 5 mil professores em greve, segundo a Polícia Militar, marchavam até a sede da prefeitura. As cidades-sede do Mundial também têm sido afetadas por greves realizadas por diferentes categorias.

Imagens da TV mostraram cenas de confronto entre manifestantes e policiais na região da Avenida Paulista. Parte dos participantes dos protestos, alguns deles com o rosto coberto, tentou depredar estabelecimentos comerciais da região e incendiou sacos de lixo. A polícia respondeu com bombas de efeito moral. A PM informou a prisão de 20 manifestantes mascarados que portavam coquetéis molotov e martelos.

Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro cerca de 1.200 manifestantes, segundo a PM, ocupavam a região central, com cartazes com palavras de ordem contra o Mundial, que começa no dia 12 de junho em São Paulo com o jogo entre Brasil e Croácia, na Arena Corinthians.

E o local de abertura da Copa foi palco de uma das manifestações desta quinta-feira, quando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) marcharam para lá a partir de um acampamento montado em um terreno ocupado a poucos quilômetros do estádio.

A polícia formou um cordão de isolamento no entorno da arena para impedir o avanço dos manifestantes, que montaram uma barricada com pneus em chamas numa rua de acesso ao estádio. De acordo com o MTST, cerca de 1.500 pessoas participaram da manifestação.

O governo, no entanto, evitou associar as manifestações com a realização da Copa do Mundo no país.

“São manifestações que trazem reivindicações da população, não vejo como caracterizar essas manifestações como sendo contra a Copa, são reivindicações de movimentos que acontecem perto da Copa”, disse o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a jornalistas em Brasília.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que as manifestações ocorrem porque as pessoas não têm uma série de informações sobre o “real significado” e a “janela de oportunidade” da Copa.

“Difundiu-se muito de maneira equivocada que a Copa estava roubando o dinheiro da educação e da saúde. Nós estamos provando nos diálogos que não é verdade”, afirmou o ministro, acrescentando que o governo espera que haja manifestações durante o Mundial, mas que ocorram pacificamente.

“Fazer uma projeção é muito perigoso. Nós preferimos não arriscar, nem subestimar nenhuma capacidade de mobilização.”

“TÔ NA RUA DE NOVO”

Em alusão ao Mundial e às manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas no ano passado, o MTST divulgou um manifesto com o nome “Copa sem povo, tô na rua de novo!”.

No documento, o movimento reivindica mais recursos para transporte, saúde e educação, demandas que também motivaram os protestos de junho do ano passado.

Integrantes do movimento em Brasília invadiram um prédio da empresa Terracap, estatal do governo do Distrito Federal responsável pela construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, o mais caro da Copa, com custo estimado em 1,4 bilhão de reais.

O MTST disse em sua página oficial no Facebook que membros do grupo foram expulsos do local em uma “ação truculenta da polícia” e que permaneceriam do lado de fora do prédio até serem recebidos por autoridades para apresentar suas demandas.

De acordo com uma porta-voz da polícia do DF, houve uma “ação normal e sem violência” para retirada de cerca de 300 manifestantes do interior do prédio, e o grupo que permaneceu do lado de fora era inferior a 100 pessoas.

No Recife, cidade que receberá cinco partidas do Mundial, uma greve de policiais militares provocou episódios de violência e saques nas ruas da cidade. A greve foi encerrada no começo da noite.

As manifestações nacionais desta quinta-feira começaram logo cedo quando um grupo de manifestantes utilizou pneus queimados para bloquear a rodovia Anhanguera, na altura do limite entre São Paulo e Osasco, no sentido da capital paulista. A via foi liberada depois, mas o protesto provocou enorme congestionamento na região.

Os protestos contra a Copa se somam aos atrasos nas obras de estádios e infraestrutura entre os problemas do Brasil na organização do Mundial. Durante a Copa das Confederações do ano passado, torneio preparatório para o Mundial, houve confrontos entre manifestantes e a polícia nos arredores de arenas, inclusive deixando torcedores no meio da confusão.

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