Prandelli passa calma a uma Itália propensa ao drama

sexta-feira, 16 de maio de 2014 11:19 BRT
 

ROMA (Reuters) - O técnico da Itália, Cesare Prandelli, não tem tempo para a histeria, as teorias da conspiração e a negatividade que tantas vezes estão próximas da seleção tetracampeã mundial.

Em menos de quatro anos, Prandelli reconstruiu o time das cinzas do fracasso da Copa do Mundo de 2010 e transformou a Itália em um time mais consistente e agradável.

Os dramas, as malandragens e o rígido sistema defensivo foram substituídos por um estilo mais aberto e ofensivo de jogo, mesmo que isso ocasionalmente deixe o time vulnerável a derrotas como a da final da Eurocopa de 2012, para a Espanha, por 4 x 0.

Uma das primeiras atitudes de Prandelli foi impor um novo código de ética no time, sob o qual os jogadores seriam barrados caso ele sentisse que eram exemplos negativos.

Daniele De Rossi e Mario Balotelli infringiram as regras de Prandelli e passaram um tempo afastados, como Dani Osvaldo, que perdeu a Copa das Confederações do ano passado depois de criticar publicamente o seu treinador na Roma.

Ainda assim, ao mesmo tempo, Prandelli conseguiu nutrir os talentos de jogadores considerados "difíceis" e repetidamente expressou sua confiança em Balotelli. Disse, por exemplo, que o atacante "precisa de amor".

Também não teve medo de convocar jogadores nascidos em outros países, como o brasileiro Thiago Motta e o argentino Osvaldo, cujas convocações são sempre uma batata quente política.

Durante a Eurocopa de 2012, Prandelli ficou furioso com críticas da mídia por uma mudança no time que ele nem chegou a realizar e se recusou a aceitar sugestões de que a Espanha e a Croácia jogariam por um empate para eliminar o seu time na última rodada da fase de grupos.

"No fim das contas, este é um jogo simples de futebol e o futebol precisa levar alegria às pessoas", disse. Na ocasião, a Espanha venceu a Croácia e a Itália seguiu para chegar à final, superando as expectativas.

Antes do mesmo torneio, Prandelli disse que não seria um problema para ele se a Itália precisasse desistir da competição por causa do último escândalo de manipulação de resultados.

Prandelli também levou os jogadores a uma prisão em Florença e fez o time treinar no coração da Calábria, no novo campo de Rizziconi, em terreno confiscado da Ndrangheta (a máfia calabresa).