Figura paterna, técnico Susic cultiva futebol ofensivo na Bósnia

sexta-feira, 16 de maio de 2014 11:57 BRT
 

Por Zoran Radosavljevic

(Reuters) - Ex-atacante da Iugoslávia, Safet Susic encarava grandes expectativas na Bósnia, fanática por futebol, quando assumiu a seleção da nação dos Bálcãs em dezembro de 2009, e seu gosto por um futebol ofensivo foi ricamente recompensado com uma vaga na Copa do Mundo deste ano no Brasil.

O técnico de 59 anos, que marcou 21 gols em 54 atuações internacionais, incluindo jogos nos Mundiais de 1982 e 1990, sucedeu o muito admirado Miroslav Blazevic, que levou a Croácia à semi-final do torneio de 1998 e a Bósnia aos playoffs da eliminatória para a Copa de 2010.

Atacante dotado de pés rápidos, grande habilidade e visão, como técnico Susic instilou a mesma filosofia em seus jogadores, o que levou muitos de seus ex-colegas de seleção iugolsava, e alguns rivais, a cobri-lo de elogios.

“Se tivesse que posicionar Susic entre os maiores de todos os tempos, você teria que colocá-lo pelo menos entre os 40 melhores”, disse Gerd Müller, ex-atacante da Alemanha e vencedor da Copa de 1974.

O macedônio Darko Pancev, que jogou ao lado de Susic na Iugoslávia na Copa de 1990, acrescentou: "Para mim, ele é insuperável, o melhor que a Iugoslávia teve. Seus cruzamentos eram inacreditáveis, às vezes me chegavam sem que eu nem me desse conta. Um jogador maravilhoso”. A Bósnia prosperou sob Susic na classificatória para a Copa de 2014, marcando 30 gols em 10 jogos e vencendo seu grupo – 18 dos gols graças à parceria letal de Edin Dzeko e Vedad Ibisevic no ataque.

Embora popular por conta de seu senso de humor incomum e sua afeição pelos jogadores, Susic não teme enfrentá-los, como provou quando criticou asperamente o artilheiro Dzeko pela discordância que mostrou na derrota por 2 x 0 para o Egito em um amistoso em março.

Quando Dzeko se queixou de ser abandonado no campo o jogo inteiro e criticou a ausência do grande amigo Senijad Ibricic do time, Susic disse em uma coletiva de imprensa que ninguém era maior que a equipe e deixou claro que o atacante teria que merecer seu posto na seleção que vai à Copa.

Como Dzeko, Susic foi recebido como herói em Sarajevo quando a Bósnia garantiu seu lugar em seu primeiro grande torneio como nação independente, mas agora tem que dar conta dos apetites crescentes do país.

Até agora, o técnico mostrou uma determinação notável e compostura sob pressão, e são esses atributos que o tornam o coração das esperanças bósnias de chegar à fase eliminatória em um grupo que inclui Argentina, Nigéria e Irã.