Cientistas alertam para risco de dengue durante a Copa do Mundo

sexta-feira, 16 de maio de 2014 22:02 BRT
 

LONDRES (Reuters) - O risco de uma epidemia de dengue durante a Copa do Mundo é sério o suficiente para desencadear um alerta em três das doze cidades-sede brasileiras, de acordo com um sistema de advertência preventiva para a doença.

Os cientistas que desenvolveram o sistema disseram que a ameaça geral da doença durante a competição de um mês é baixa, mas alertaram que em Natal, Fortaleza e Recife o risco é sério.

A dengue é uma infecção viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode variar de uma doença moderada, semelhante a uma gripe, até uma mortal, que se desenvolve em cerca de cinco por cento dos pacientes. Ainda não há vacinas ou tratamentos eficientes.

O Brasil tem mais casos de dengue que qualquer outro país. Mais de sete milhões de infecções foram registradas entre 2000 e 2013.

Rachel Lowe, do Instituto Catalão de Ciências do Clima, em Barcelona, que ajudou a desenvolver o sistema de alerta, disse que a possibilidade de um surto durante o Mundial, amplo o suficiente para infectar turistas e se espalhar nos seus países de origem, irá depender de uma combinação de fatores.

Entre eles estão uma grande quantidade de mosquitos, uma população suscetível e uma alta taxa de contato entre mosquitos e humanos, afirmou ela.

“Nosso objetivo foi usar as evidências disponíveis de previsões de chuvas sazonais e temperaturas em tempo real, dinâmicas de transmissão e variáveis sociais e ambientais e combiná-las com o que há de mais avançado em mapeamento e modelos matemáticos para produzir estimativas de risco para as 12 cidades-sede”, declarou.

Os resultados, publicados na revista The Lancet Infectious Diseases nesta sexta-feira (madrugada de sábado na Grã-Bretanha), mostraram que o risco geral de uma epidemia é baixo em Brasília, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre e São Paulo, mas aumenta no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Salvador e Manaus.

As cidades com o maior risco são Natal, Fortaleza e Recife, disse Lowe.

“A capacidade de fornecer alertas preventivos de epidemia de dengue no nível da microrregião, com três meses de antecedência, é de valor inestimável para reduzir ou conter uma epidemia e dará tempo às autoridades locais para combater as populações de mosquitos nestas cidades com chance maior de um surto de dengue", afirmou a cientista.

(Reportagem Kate Kelland)

 
Lucas, de 15 anos, joga bola em uma rua decorada para a Copa do Mundo, em São Paulo, nesta semana. 14/05/2014 REUTERS/Nacho Doce