ESPECIAL-Brasileiros se decepcionam por promessas não cumpridas para Copa

segunda-feira, 19 de maio de 2014 14:46 BRT
 

Por Paulo Prada

NATAL (Reuters) - Quando o Brasil traçava planos para sediar a Copa do Mundo de 2014, este destino litorâneo no Nordeste era exatamente o tipo de cidade que o país queria mostrar para o mundo. 

O crescimento econômico transformava o lugar em uma típica cidade emergente do novo Brasil, um país finalmente destinado a dar o esperado salto para o primeiro mundo.

    Quem se importa que Natal, no historicamente pobre Nordeste, fique longe de Rio de Janeiro e São Paulo? Ou que seu estádio, casa de times regionais intermediários, mal pudesse ser considerado um destino principal para o esporte profissional, ainda mais para o torneio de futebol mais popular do mundo?

    Natal construiria uma nova e evoluída arena, disseram autoridades, e todos os tipos de infraestruturas adicionais também. O governo prometeu uma rede de transporte leve sobre trilhos, a renovação do litoral e calçadas adaptadas para cadeiras de rodas.

    Cinco anos depois, e quatro semanas antes do pontapé inicial do Mundial, pouca coisa foi concluída além do estádio e de um remoto e não testado aeroporto.

    Quase metade dos mais de 3 bilhões de reais em desenvolvimentos prometidos nunca saiu do papel. E o que de fato foi iniciado, atrasou, incluindo trabalhos rodoviários em andamento que transformaram os arredores do estádio numa ampla paisagem de vigas, poeira e concreto.

    “Esta é uma oportunidade perdida”, disse o deputado estadual Fernando Mineiro (PT). “Natal aproveitou mal a Copa e foi tímida na hora de investir e desenvolver projetos para a sociedade”.

    Cidades buscam sediar a Copa do Mundo, Olimpíadas e outros eventos esperando que o turismo, a exposição internacional e outros benefícios possam justificar os investimentos em infraestrutura e outros “legados", como aqueles que notoriamente remodelaram Barcelona para os Jogos Olímpicos de 1992.   Continuação...