23 de Maio de 2014 / às 00:22 / 3 anos atrás

Milhares protestam contra obras da Copa e especulação imobiliária em SP

Membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) protestam contra a Copa do Mundo em São Paulo nesta quinta-feira. 22/05/2014 REUTERS/Nacho Doce

SÃO PAULO (Reuters) - Milhares de manifestantes caminharam na noite desta quinta-feira a partir da região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, em protesto contra as obras da Copa do Mundo que, segundo eles, deixaram muitos desabrigados devido à especulação imobiliária.

“Eu não quero uma Copa do Mundo no Brasil, eu quero um teto”, gritavam enquanto passavam em frente ao Shopping Iguatemi, exigindo do governo mais moradias para aqueles afetados pela alta dos preços dos imóveis.

“Podem enviar tropas, mas se não cuidarem das pessoas, não vai ter Copa”, dizia um cartaz.

Este é o terceiro ato da campanha “Copa sem povo, tô na rua de novo”, que se iniciou em 8 de maio, com a ocupação da sede de grandes empreiteiras relacionadas ao Mundial, e seguiu com o bloqueio de avenidas em São Paulo e outras cidades do país no último dia 15.

A manifestação ocorreu de forma pacífica, embora tenha prejudicado o tráfego e fechado lojas. Outros protestos recentes tiveram confrontos com a polícia e tumultos, aumentando os temores de que a violência pode atrapalhar a Copa do Mundo, que começa daqui a três semanas na Arena Corinthians, em São Paulo.

A caminhada foi organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que representa 4.000 famílias que vivem acampadas em um terreno a poucos quilômetros do estádio que, segundo elas, contribuiu para o aumento dos preços de imóveis.

Autoridades nas 12 cidades-sede do Mundial estão se preparando para uma repetição dos protestos do ano passado, quando pouco mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas contra os elevados gastos da construção dos estádios, exigindo a melhoria dos serviços públicos.

Os organizadores da caminhada desta quinta-feira disseram que os protestos vão continuar durante a Copa do Mundo.

“Nós não somos contra a Copa do Mundo em si, mas contra os bilhões de reais que foram gastos”, disse uma mulher que se identificou pelo primeiro nome, Waldirene. “Eles poderiam ter investido em saúde, transporte e habitação, que nós tanto precisamos.”

Reportagem de Asher Levine

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below