Para sindicato, escândalos do futebol mostram que jogadores precisam ser ouvidos

segunda-feira, 2 de junho de 2014 12:39 BRT
 

Por Brian Homewood

BERNA (Reuters) - Os jogadores devem ter mais voz na forma como o futebol é organizado para evitar "escândalo após escândalo", disse o sindicato mundial dos jogadores nesta segunda-feira, após acusações de que foram pagos subornos para o Catar ganhasse o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022.

O mundo do esporte internacional foi abalado por uma reportagem de um jornal britânico no domingo, segundo a qual aproximadamente 5 milhões de dólares foram pagos a autoridades em troca de votos para a proposta vencedora do Catar.

Os organizadores do Catar já negaram veementemente as acusações. Peter Goldsmith, um membro do Comitê Independente de Governança da Fifa, disse nesta segunda-feira que a decisão de realizar a Copa no Catar deve ser revogada se as acusações forem comprovadas.

"Atualmente, os jogadores e os interesses dos jogadores são muitas vezes negligenciados ou ignorados no processo de tomada de decisão", disse o sindicato dos jogadores FIFPro , em um comunicado, afirmando que vê as acusações contra o Catar com preocupação.

"Este é um triste reflexo da má administração do jogo, que é claramente ultrapassada. É inaceitável que a administração do jogo continue a ser maculada por um escândalo após outro escândalo."

A crise ameaça ofuscar a preparação para a Copa do Mundo deste ano, dias antes de seu início, no Brasil.

Michael Garcia, um ex-promotor norte-americano, foi contratado para conduzir uma investigação interna sobre a escolha do Catar, um pequeno e rico país do Golfo, onde as temperaturas sobem acima de 50 graus Celsius nos meses de verão, quando o torneio deve ser realizado.

O jornal Sunday Times disse que obteve milhares de emails e outros documentos que mostraram que o então presidente da Confederação de Futebol Asiático, Mohamed bin Hammam, um cidadão do Catar, tinha sido responsável por pagamentos a outros funcionários para ganhar votos para o país.

O Catar afirma que Bin Hammam não desempenhou nenhum papel na proposta bem sucedida do país para sediar a Copa do Mundo.

Bin Hammam já foi afastado do futebol depois de ter sido considerado culpado em 2011 de tentativa de suborno para garantir votos para a sua própria tentativa de presidir a Fifa. Essa punição foi posteriormente anulada, mas ele foi banido para sempre uma segunda vez em 2012 por "conflitos de interesse", enquanto presidente da Confederação de Futebol Asiática.