June 2, 2014 / 7:44 PM / 3 years ago

Resultado de investigação da Fifa sobre Copa de 2022 no Catar sai em algumas semanas

4 Min, DE LEITURA

MUSCAT/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O destino da Copa do Mundo de 2022 pode ser decidido em algumas semanas. O encarregado da investigação interna da Fifa sobre como o Catar conquistou o direito de sediar o evento anunciou nesta segunda-feira que finalizará seu inquérito na próxima semana e que vai relatá-lo em julho.

Michael Garcia, ex-promotor dos Estados Unidos, parece deter nas mãos o futuro da campanha multibilionária do Catar para sediar o Mundial, depois que novas alegações de suborno desencadearam pedidos indignados para que o torneio seja transferido, caso a corrupção fique provada.

Em um comunicado, ele estabeleceu um cronograma segundo o qual apresentará um relatório pouco após a final da Copa no Brasil.

Garcia, que encabeça um comitê investigativo para a Fifa, estava no Oriente Médio, onde deveria se reunir com autoridades do futebol do Catar como parte da investigação. Falando à Reuters de Muscat, capital do vizinho Omã, ele se recusou a fazer mais comentários sobre o inquérito, sublinhando estar “limitado por questões éticas”.

O Catar tem negado com veemência reportagens segundo as quais subornos teriam sido pagos a autoridades para levar o maior evento esportivo do mundo ao pequeno emirado do Golfo Pérsico, onde as temperaturas durante o verão em que o torneio é disputado podem subir acima dos 50 graus Celsius.

As alegações de corrupção no cerne da Fifa ameaçam ofuscar a Copa que começa em 12 de junho na Arena Corinthians, em São Paulo.

“Após meses entrevistando testemunhas e reunindo material, pretendemos finalizar essa fase de nossa investigação até 9 de junho de 2014, e submetê-la à Câmara Decisória cerca de seis semanas mais tarde”, disse Garcia em um comunicado divulgado pela Fifa em referência a um conselho da entidade.

“O relatório levará em conta todas as provas potencialmente relacionadas à candidatura (do Catar), incluindo provas coletadas de investigações anteriores.”

Pelas datas e prazos mencionados, o veredicto da Câmara Decisória seria conhecido em 21 de julho, uma semana após a final do Mundial no Brasil.

Peter Goldsmith, membro do Comitê de Governança Independente da Fifa, tornou-se a mais recente autoridade do futebol internacional a dizer que a decisão de sediar o evento no Catar deve ser revogada se a corrupção ficar comprovada.

A liderança da Fifa, enquanto isso, está no Brasil preparando o início do torneio deste ano.

Seu presidente, Josepp Blatter, que classificou a decisão de conceder o Mundial de 2022 ao Catar um erro devido ao extremo calor do verão local, se encontrou com a presidente Dilma Rousseff na tarde desta segunda-feira.

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que tem feito críticas à organização da Copa no Brasil, recusou-se a comentar sobre o Catar quando abordado por repórteres em um evento no Rio de Janeiro.

O mundo do futebol foi abalado quando o jornal Sunday Times relatou no domingo ter provas de que cerca de 5 milhões de dólares foram pagos a autoridades em troca de votos para a campanha do Catar, alegações que os organizadores negaram “veementemente”.

A ex-autoridade no centro das alegações é Mohamed Bin Hammam, que chefiava o futebol na Ásia quando foi decidido que seu país seria o anfitrião da Copa de 2022. Ele ainda não fez comentários públicos sobre as acusações.

O Sunday Times publicou o que diz serem e-mails vazados e registros de contas que mostram que Bin Hammam teria supervisionado pagamentos a autoridades de associações de futebol nacionais em troca de apoio à candidatura do Catar para o torneio de 2022.

O Catar diz que Bin Hammam não era membro de sua equipe de campanha para sediar o Mundial, e que sua candidatura venceu a disputa por ter mérito. O país está gastando bilhões para o evento, incluindo estádios refrigerados para tornar possível a realização dos jogos em uma das partes mais quentes do mundo durante o verão.

Reportagem adicional de Julian Linden em Nova York, Narae Kim em Seul, Elaine Lies em Tóquio, Pedro Fonseca no Rio de Janeiro e Keith Weir em Londres

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