Reunião entre metroviários e governo de SP termina sem acordo a 3 dias da Copa

segunda-feira, 9 de junho de 2014 20:51 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A reunião entre o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e representantes do governo estadual terminou sem acordo sobre a revogação da demissão de 42 funcionários nesta segunda-feira, afirmou a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, no quinto dia de uma greve que provocou caos no transporte público da capital paulista, palco da abertura da Copa do Mundo.

O sindicato solicitou a reunião com o governo na Superintendência Regional do Trabalho e condicionou a volta ao trabalho à readmissão dos funcionários. Sem acordo, a categoria decidirá se mantém a greve em assembleia mais tarde nesta segunda-feira.

De acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, "o movimento estava perdendo força", já que das 65 estações do metrô, 50 delas já estavam abertas e operando parcialmente. Cerca de 4,5 milhões de pessoas utilizam o metrô na cidade.

A Justiça do Trabalho julgou a paralisação ilegal no domingo, mas o Sindicato dos Metroviários de São Paulo decidiu pela manutenção da greve em assembleia realizada no mesmo dia.

O desembargador Rafael Pugliese, do Tribunal Regional do Trabalho, definiu o reajuste salarial de 8,7 por cento para a categoria, que reivindica um aumento de 12,2 nos salários. Na mesma decisão, a Justiça determinou o retorno imediato ao trabalho, sob pena de 500 mil reais de multa diária.

Os visitantes que chegam à cidade para assistir à abertura do Mundial, na quinta-feira, enfrentaram grandes congestionamentos e atrasos em diversos serviços nesta segunda-feira, quando a tropa de choque da Polícia Militar entrou em confronto com grevistas que realizavam um piquete na estação Ana Rosa, na zona sul da capital.

Uma avenida chegou a ser bloqueada com lixo queimado, e a polícia usou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para liberar o acesso à estação, considerada um dos nervos centrais do sistema. Quatorze metroviários chegaram a ser levados para a delegacia.

Outros grupos, incluindo professores e motoristas de ônibus, já fizeram greves em São Paulo nas últimas semanas para exigir melhores salários. Analistas dizem que a cidade está se tornando um campo de batalha para visões políticas dissidentes, prejudicando a economia e criando um clima de mal-estar antes da Copa do Mundo.   Continuação...

 
Metroviários entram em confronto com a tropa de choque da polícia em frente à estação Ana Rosa do metrô, em São Paulo. A cidade de São Paulo enfrentou novamente, nesta segunda-feira, caos no transporte público em meio ao quinto dia de greve dos funcionários do metrô, com confronto entre a polícia e grevistas a três dias da abertura da Copa do Mundo, na maior cidade brasileira. 9/11/2014. REUTERS/Damir Sagolj