9 de Junho de 2014 / às 19:34 / em 3 anos

Brasil se prepara para invasão de "barrabravas" argentinos na Copa

Torcida argentina em jogo contra Eslovênia em Buenos Aires no sábado. REUTERS/Marcos Brindicci

BRASÍLIA (Reuters) - As manifestações anti-Copa do Mundo não são o único problema que as autoridades de segurança do Brasil deverão enfrentar durante o torneio: a invasão de torcedores da Argentina é outro.

Os chamados “barrabravas” são famosos por sua violência, e a polícia brasileira não vai correr riscos.

O Brasil planeja reforçar a segurança dentro e fora dos estádios nos quais a seleção arquirrival irá jogar, mobilizando policiais infiltrados e convocando policiais argentinos para localizar os arruaceiros, disseram autoridades policiais de algumas das cidades-sede.

“Não me importa como chamam estas pessoas. A polícia brasileira, em cooperação com a polícia do exterior, será dura na resposta a qualquer um que venha aqui cometer crimes”, disse o secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, Andrei Rodrigues.

São esperados mais de 50 mil torcedores argentinos durante o torneio, muitos cruzando a fronteira em carros e ônibus.

O governo brasileiro já enfrenta a ameaça de protestos de rua de cidadãos que se opõem aos gastos com a Copa. As manifestações de meados do ano passado continuaram em escala menor, mas com episódios de violência.

Embora incidentes fatais sejam raros em Copas, os “barrabravas” têm um histórico de violência, do esfaqueamento de torcedores ingleses no México-1986 a lutas entre si durante o último Mundial, na África do Sul, quatro anos atrás.

Como torcedores de todas as partes, muitos argentinos não conseguiram comprar ingressos para jogos da Copa e se reunião aos milhares em torno dos estádios, o que pode criar problemas se os “barrabravas” se depararem com torcidas locais, algumas associadas à violência crescente no futebol brasileiro.

Um número recorde de 30 pessoas morreram em episódios de violência relacionados ao futebol no ano passado no Brasil, cifra mais alta do mundo depois de Argentina e Itália, de acordo com dados compilados pelo pesquisador brasileiro Mauricio Murad.

 

INGLATERRA X ARGENTINA

“Haverá muitos torcedores revoltados por terem ficado de fora por causa dos preços altos dos ingressos. Se encontrarem com os “barrabravas”, podem surgir conflitos facilmente”, disse Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, que estudou as manifestações da Copa do Mundo.

“É uma mistura muito perigosa. O risco de violência é iminente nesta Copa.”

A polícia brasileira também teme que os “barrabravas” confrontem torcedores ingleses em Belo Horizonte, onde as duas seleções irão jogar com três dias de diferença.

Inglaterra e Argentina têm uma das rivalidades mais longevas do futebol, alimentada pela Guerra das Malvinas de 1982 e pelo famoso gol “Mão de Deus” de Diego Maradona que ajudou a eliminar os ingleses no Mundial de 1986.

Desta vez, os dois times só se enfrentarão se chegarem à final.

“Estamos cientes do histórico entre os dois países, e não podemos ignorar o risco de conflitos entre torcedores argentinos e ingleses”, declarou Alberto Luiz Alves, porta-voz da polícia estadual de Minas Gerais, que espera 1.500 “barras bravas” na cidade.

Na Copa deste ano os hooligans ingleses são uma ameaça menor por conta da distância e do custo da viagem ao Brasil, além das leis britânicas severas que permitem às autoridades impedir que arruaceiros saiam do país.

O Brasil espera deter os “barrabravas” na fronteira usando uma lista com mais de dois mil nomes de torcedores violentos, fornecida pelo governo argentino. Essa será a primeira linha de defesa contra eles, disse Rodrigues à Reuters no recém-inaugurado centro nacional de controle, com telões de parede a parede ligados a câmeras em todas as 12 cidades-sede.

O Brasil ainda planeja destacar 157 mil policiais e soldados para proteger as fronteiras e manter a ordem ao redor dos estádios.

Reportagem adicional de Anthony Boadle

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