10 de Junho de 2014 / às 17:33 / 3 anos atrás

Torcedores tentam driblar preços de hotéis com hospedagem gratuita na Copa

Estátua do Cristo Redentor é refletida em óculos de sol de turista no Rio.Tony Gentile

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto os preços das diárias em hotéis seguem nas alturas às vésperas da Copa do Mundo, alguns torcedores ainda estão em busca de um lugar para ficar nas cidades que vão sediar os jogos do torneio, mas não pretendem pagar pela hospedagem.

"Eu me dei conta (e confirmei) que os albergues e hotéis no Brasil estariam realmente muito caros durante a Copa do Mundo", disse o norte-americano Luke Thompson, de 26 anos, que vai passar duas semanas no país e ainda procura hospedagem no Rio de Janeiro. Ele também vai assistir a jogos em Brasília, mas ficará na casa de um amigo.

Mesmo em cima da hora e ainda sem acomodação definida, Thompson e muitos outros turistas fogem dos preços altos, com a intenção inicial de não pagar por sua estadia no Brasil.

Para aqueles que não possuem amigos ou familiares nas cidades da Copa, que começa na quinta-feira e vai até o dia 13 de julho, uma das ferramentas mais utilizadas é a rede social de viagens Couchsurfing.

O site funciona por meio da chamada "moeda social": quem oferece o sofá hoje pode ser hospedado futuramente. Além da acomodação gratuita, a experiência de conhecer a cidade pelos olhos de um local também atrai os usuários.

Enquanto isso, nos hotéis em todas as 12 cidades-sede da Copa as diárias estão mais caras em junho, com aumento de até 83 por cento em relação a maio, segundo estimativas do Trivago, site que compara preços de hotéis.

O preço médio de junho mais barato é em Porto Alegre, de 389 reais e o mais caro no Rio de Janeiro, de 645 reais, de acordo com o Trivago.

Para driblar os preços, o empresário argentino Juan Pablo Sánchez e o irmão conseguiram hospedagem pelo Couchsurfing em Belo Horizonte. Eles também vão ficar nove dias no Rio e alugaram um apartamento, mas ainda procuram acomodação gratuita por mais duas noites depois que entregarem o imóvel.

"Ainda não temos hospedagem no Rio de Janeiro de 22 a 25 de junho. Com certeza pediremos hospedagem no Couchsurfing ou buscaremos algum hostel ou quarto mais barato", disse Sánchez.

O Ministério do Turismo estima que as hospedagens alternativas no país acrescentaram 81 mil leitos às capitais da Copa e elas vão de campings, albergues e motéis a embarcações, mas não consideram o Couchsurfing.

"Esse tipo de hospedagem, o Couchsurfing, faz parte de um outro nicho de mercado. De qualquer forma, os preços das redes hoteleiras podem sim se tornar um atrativo para esse turista. Há preços para todos os gostos e orçamentos", disse em nota o presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Roberto Rotter.

Em maio, o FOHB divulgou que os hotéis das 12 cidades-sede da Copa do Mundo comercializaram, em média, 55 por cento das diárias para os jogos da competição.

A melhor taxa de ocupação é no Rio de Janeiro, com 88 por cento das vagas, além de Natal e Recife, ambas com 84 por cento. A taxa de ocupação em São Paulo é de 31 por cento, e para o jogo de abertura da Copa, entre Brasil e Croácia, sobe para 42 por cento. [ID:nL1N0O61HC]

BARRACA NA PRAIA

"Já estive no Brasil antes e agora os preços estão uma loucura de caros. Procurei alojamento em um hostel e está tudo completamente caro, acredito que vou armar uma barraca na praia", disse o chileno Carlos Muñoz.

O Couchsurfing funciona com base na confiança entre as pessoas, e em que viajantes e anfitriões trocam indicações, criando uma rede de referências pessoais.

Baseada em San Francisco, nos Estados Unidos, a rede foi fundada em 1999 e hoje tem 7 milhões de usuários. O Couchsurfing levantou 15 milhões de dólares em agosto por meio de empresas de private equity.

Esse tipo de modelo de hospedagem, junto com o AirBnB -em que desconhecidos oferecem um quarto mediante o pagamento de uma taxa-, veio para ficar, na opinião do diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITSRio.org), Ronaldo Lemos.

"Em cidades como Nova York está havendo uma megamobilização do setor de hotéis para acabar com o Airbnb, proibindo o aluguel por menos de seis meses e criando o conceito de hotéis ilegais. Vai ter uma batalha muito grande", afirmou.

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