PERFIL-Blatter mostra que ataque é melhor defesa e rebate críticos da Fifa

quarta-feira, 11 de junho de 2014 16:50 BRT
 

Por Mike Collett

SÃO PAULO (Reuters) - Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, entrou no saguão de mármore do hotel Grand Hyatt, em São Paulo, no começo da semana, ele não parecia um homem que lutava para salvar a reputação da entidade organizadora do futebol mundial que ele comanda há 16 anos.

O suíço de 78 anos sorria ao cumprimentar autoridades de todos os lugares do mundo que esperaram para apertar sua mão, e até mesmo falou palavras acolhedoras para um pequeno grupo de repórteres que queria conversar com ele.

"Eu gosto muito de vocês", disse aos jornalistas, antes de pedir desculpas por ter que voltar ao trabalho.

O humor de Blatter parecia bem mais negro apenas algumas horas antes, quando, falando às confederações de futebol da África e da Ásia na capital paulista na segunda-feira, bradava contra aqueles que, segundo ele, querem destruir a Fifa.

Ele também sugeriu que as críticas sobre o fato de a Fifa ter concedido o torneio mais lucrativo e assistido do mundo ao Catar em 2022 vinham, pelo menos em parte, de racismo.

"Mais uma vez há um tipo de tormenta contra a Fifa relacionada à Copa do Mundo no Catar", disse ele a delegados africanos, após o jornal Sunday Times ter relatado --não pela primeira vez-- que um ex-representante de futebol do Catar havia tentado comprar o torneio para o pequeno Estado do Golfo.

"Tristemente, há uma grande dose de discriminação e racismo e isso me magoa."

Os duros comentários, feitos apenas três dias antes do começo da Copa do Mundo, refletiram a gravidade das acusações contra a Fifa, algo que alguns comentaristas sugeriram que poderia ameaçar o futuro da tentativa do Catar de sediar o torneio.   Continuação...

 
Presidente da Fifa, Joseph Blatter, aparece em telão durante discurso no Congresso da Fifa em São Paulo, nesta quarta-feira, 11 de junho. REUTERS/Paulo Whitaker