Na véspera da abertura da Copa, recepção a torcedores estrangeiros ainda é morna

quarta-feira, 11 de junho de 2014 19:33 BRT
 

Por Asher Levine e Esteban Israel

SÃO PAULO (Reuters) - Após convidar o mundo para sua festa e gastar bilhões de reais na organização do evento, os brasileiros parecem relutantes em desfrutar de sua própria festa. A Copa do Mundo começa na quinta-feira, mas o ambiente nas ruas ainda parece morno.

Atrasos nas obras de estádios, aeroportos e outros projetos de infraestrutura, combinados com a insatisfação provocada pelos os cerca de 26 bilhões de reais gastos com o torneio, serviram de combustível para os protestos que acontecem desde junho do ano passado e arrefeceram o entusiasmo com o Mundial.

Além disso, as diversas alegações de corrupção envolvendo a Fifa não ajudaram muito.

Algumas pessoas dizem que encontrarão o ânimo com a Copa quando os gols começarem a acontecer. Mas, por enquanto, muitos torcedores estrangeiros que chegam ao país estão decepcionados.

"É muito difícil encontrar coisas que são para nós, os torcedores", disse Vedran Lesic, parte de um grupo de croatas vestidos com as cores vermelha e branca de sua seleção enquanto caminhavam por São Paulo nesta quarta-feira. "Só queremos nos divertir e estamos tendo muita dificuldade em encontrar isso".

Os visitantes mais festivos buscaram fazer sua própria diversão, carregando as bandeiras de seus países pela cidade, bebendo nas ruas e cantando juntos.

Fora isso, a atmosfera em São Paulo é monótona, mesmo um dia antes do jogo de abertura entre Brasil e Croácia, na quinta-feira.

A decoração verde e amarelo ainda não tomou por completo as ruas, e grafites atacando a Fifa e os políticos brasileiros salientam a insatisfação com os serviços públicos.

"É deprimente. É como se as pessoas não tivessem o entusiasmo que tiveram nos anos anteriores, especialmente para um país que tem o futebol na alma", disse Cecília Salazar, uma comerciante de 64 anos da Argentina que estava em São Paulo com seu marido e tem ingressos para um jogo de seu país em Porto Alegre.

O apoio popular para sediar a Copa do Mundo caiu de quase 80 por cento em 2008 para menos de 50 por cento neste ano, de acordo com dados do Datafolha.