ANÁLISE-Eventos esportivos podem se tornar menos ambiciosos depois do Brasil

sexta-feira, 13 de junho de 2014 14:55 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Assolada por atrasos e protestos, a Copa do Mundo no Brasil pode ser um divisor de águas para grandes eventos esportivos, forçando a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) a aceitarem candidaturas menos ambiciosas para reduzir os riscos de repúdio popular.

Descrita pelo governo brasileiro como “a Copa das Copas”, o torneio começou na quinta-feira com um pano de fundo de polêmicas e preocupações.

A Fifa enfrenta alegações de corrupção na concessão do Mundial de 2022 ao Catar, assim como acusações de partidas arranjadas. Com isso, menos países estão dispostos a sediar grandes eventos, e até alguns patrocinadores começaram a questionar o efeito negativo de se associar a eles.

Desde a Olimpíada de Barcelona em 1992, que estabeleceu um alto padrão, grandes eventos esportivos passaram a dar ensejo a projetos de infraestrutura e tentar regenerar cidades.

Economistas esportivos e fontes da Fifa afirmam que o Brasil, que sedia a Copa mais cara da história com seu gasto estimado em quase 26 bilhões de reais, mostrou tanto os limites quanto os riscos deste modelo.

Embora a natureza do processo seletivo faça com que países mais aptos a esbanjar em estádios de última geração ainda atraiam apoio, há um sentimento crescente entre as populações das cidades e nações cogitando sediar tais eventos de que maior nem sempre é igual a melhor.

“Acho que chegamos a um divisor de águas na história dos grandes eventos, e que isso irá levar a uma grande redução na ambição relacionada à infraestrutura destes eventos”, disse Wolfgang Maennig, professor da Universidade de Hamburgo especialista em economia dos esportes.

Para Maennig, que conquistou a medalha de ouro como remador para a Alemanha na Olimpíada de Seul em 1988, grandes eventos esportivos se tornaram tão politizados e polêmicos que correm o risco de perder tantos patrocinadores quanto países para sediá-los.   Continuação...

 
Operários trabalham do lado de fora da Arena das Dunas, em Natal. 12/06/2014 REUTERS/Dylan Martinez