23 de Junho de 2014 / às 18:23 / 3 anos atrás

Não há seleções fracas nesta Copa do Mundo, dizem técnicos

Jogador holandês Arjen Robben durante vitória sobre o Chile, na Area Corinthians, em São Paulo. A Holanda se classificou com três vitórias para a próxima fase da Copa.Ivan Alvarado

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma tendência emergiu claramente na Copa do Mundo – nenhuma seleção se mostrou bucha de canhão.

Naturalmente alguns times são melhores do que outros, e devem se destacar como líderes de seus grupos e passar às oitavas de final.

Mas a soberba disciplina defensiva do Irã contra a Argentina, a contundência do ataque de Gana no segundo tempo contra a Alemanha e as vitórias surpreendentes da Costa Rica sobre Uruguai e Itália, entre outros, provam que a distância entre as ‘seleções menores’ e as potências estabelecidas está se reduzindo cada vez mais.

No que beirou uma grande reviravolta, a Holanda chegou a perder de 2 x 1 durante parte do jogo para a Austrália, 62ª do ranking da Fifa, antes de vencer por 3 x 2.

O técnico do Uruguai, Óscar Tabárez, está convencido de que não há mais seleções fracas na Copa, e sua opinião é compartilhada por muitos outros técnicos de nações mais badaladas que já levaram sustos no torneio

“O que se ouve na mídia nem sempre é verdade”, disse Tabárez, cujo time foi derrotado por 3 x 1 pelos azarões costarriquenhos em sua partida de estreia.

"Favoritismo e histórico são relativos durante a competição. A paridade é um traço distintivo do futebol de hoje. Sempre há surpresas em uma Copa do Mundo, porque sempre há seleções que não foram computadas nos cálculos”.

Sempre haverá dias em que um time faz tudo certo e bate outro com um grande placar e, ironicamente, os dois que sofreram as maiores derrotas na fase de grupos foram a campeã mundial Espanha, que perdeu de 5 x 1 para a Holanda, e Portugal, derrotado por 4 x 0 pela Alemanha.

Mas os dias de placares como Iugoslávia 9 x 0 Zaire (1974) ou Hungria 10 x 1 El Salvador (1982) não devem se repetir tão cedo.

ALTO NÍVEL

A internacionalização do esporte, melhores regimes de condicionamento físico, treinamentos mais profissionais a cargo de técnicos que trabalham em todo o mundo e a migração dos melhores jogadores para as ligas de ponta da Europa transformaram a paisagem do futebol mundial.

O italiano Fabio Capello, que levou a Inglaterra ao Mundial de 2010 e hoje treina a Rússia, resumiu o que muitas pessoas pensam nesta Copa.

Pouco depois de ver o Irã chegar muito perto de um empate com a Argentina antes de perder de 1 x 0, Capello disse: “Fiquei agradavelmente surpreso com a qualidade do jogo em todas as partidas. São todas de alto nível. Todas foram difíceis”.

“Não há uma seleção que pode dizer que tudo que precisa fazer é entrar em campo e vencer. Nada cai no colo. Você tem que fazer por merecer.”

O técnico da Argentina, Alejandro Sabella, declarou aos repórteres antes de seu time enfrentar os iranianos: “Não há adversários fracos neste torneio, e esta é uma partida de Copa do Mundo. Não podemos subestimar nenhuma seleção. Temos que dar 100 por cento e respeitar todos”.

Como que para provar seu argumento, os argentinos tiveram que depender de um gol de Messi já nos acréscimos, e o volante Javier Mascherano disse: “Estamos vendo uma Copa na qual toda seleção tem capacidade de lutar. Se a campeã Espanha, um time que maravilha o mundo e do qual ainda gosto, foi eliminada, isso mostra que tudo está equilibrado”.

 

ATAQUE SEM MEDO

Antes do início do torneio, o ex-técnico francês Gérard Houllier, membro do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa há 20 anos, disse esperar uma Copa emocionante e que as seleções mais bem sucedidas seriam aquelas que atacassem sem medo.

Sua avaliação ficou comprovada nos jogos com placar generoso e ofensivo e poucos empates sem gols.

Mesmo as partidas com placar relativamente modesto foram fascinantes, e só um time se mostrou bem abaixo dos outros – Honduras quando perdeu de 3 x 0 para a França.

Falando depois de seu time marcar dois gols no fim e derrotar a Argélia por 2 x 1 em sua estreia, o técnico da Bélgica, Marc Wilmots, reagiu com um pouco de irritação quando os repórteres insinuaram que sua equipe deveria ter vencido com mais facilidade um rival relativamente pequeno como a seleção argelina.

“Vocês esperavam que vencêssemos por 4 x 0, 5 x 0? Bom, eu não. A Argélia é número 22 do ranking. Nenhuma seleção na Copa será fácil. Elas batalharam muito para estar aqui”.

Reportagem adicional de Andy Cawthorne, Rex Gowar, Esteban Israel, Zoran Milosavjlevic e Karolos Grohmann

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