24 de Junho de 2014 / às 00:12 / 3 anos atrás

Torcida brasileira invade Copacabana e celebra goleada sobre Camarões

Torcedores do Brasil assistem ao jogo contra Camarões em Copacabana.Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de se ver tomada por torcedores de outros países nos primeiros dias de Copa do Mundo, sobretudo latino-americanos, Copacabana foi invadida nesta segunda-feira pelo verde-e-amarelo dos brasileiros, que assistiram à vitória da seleção sobre Camarões por 4 x 1, disputada em Brasília.

Como de costume, a estrutura montada na areia, chamada Fifa Fan Fest, teve a lotação de 20 mil torcedores esgotada, embora no interior houvesse a sensação de menos espaço, o que fez algumas pessoas desistirem de continuar na festa durante o intervalo. Os organizadores estimaram que mais 15 mil pessoas tenham assistido à partida do lado de fora.

"É tanta confusão que às vezes não dá tempo, chega na hora do jogo você tem que parar onde está e pronto. O importante é continuar a torcida", disse o office-boy Wallace Coelho, de 21 anos, que assistia ao jogo acompanhado da namorada em pé em plena Avenida Atlântica, que teve o tráfego fechado durante o jogo e por onde mais cedo passaram manifestantes em um protesto contra violência policial.

A boa atuação brasileira no segundo tempo da partida, disputada no estádio Mané Garrincha, fez a torcida explodir com os gols brasileiros e motivou mais confiança na seleção.

O Brasil garantiu classificação para as oitavas de final da Copa em primeiro lugar do Grupo A com uma goleada sobre Camarões, conquistada graças ao talento de Neymar, que marcou dois gols no primeiro tempo que abriram caminho para a vitória contra um adversário já eliminado.

"Hoje o Brasil fez o dever. O time era fraco, eles estavam desunidos, mas o Brasil deu uma desencantada. Contra o Chile vai ser tranquilo”, disse o analista de sistemas Bruno Lima, de 30 anos, que comemorou o aniversário de três anos de casado em Copacabana junto com vizinhos, moradores do bairro de Caxambi, zona norte da cidade.

Alguns se mostraram mais críticos: "O problema do Brasil está ainda nas laterais que são duas avenidas. Contra Camarões foi tranquilo. A torcida que empurra o time, mas quando pegar uma seleção sul-americana pode complicar por causa da torcida, que vai fazer frente à brasileira”, afirmou Pablo Sebastian, de 23 anos, que apesar do nome é brasileiro e saiu de Itaboraí, município a cerca de 40 quilômetros do Rio, para assistir ao jogo no Fifa Fan Fest.

PROTESTO: "LÁGRIMA NAS FAVELAS"

     Antes do início do jogo Brasil x Camarões, cerca de 200 pessoas que protestavam contra violência nas favelas, segundo os organizadores, fecharam um dos sentidos da Avenida Atlântica, na orla do Rio e uma das principais vias da capital, perto do local onde ficam os torcedores. 

     Lideravam a passeata moradores de favelas cariocas, alguns parentes de vítimas de violência policial, segurando fotos de familiares que dizem ter sido vítimas da violência.

     "A festa nos estádios não vale a lágrima nas favelas", dizia uma das faixas carregadas pelos que iam à frente do grupo.

     "A gente acredita que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e as remoções são projetos políticos para grandes eventos. Esse protesto marca um ano da chacina da Maré, que é amanhã. No dia 13 planejamos outro ato, pois é quando faz um ano do desaparecimento do pedreiro Amarildo", disse Gláucia Marino, moradora do morro da Providencia e membro da rede de movimentos contra violência nas favelas que organizou o ato. 

    Os manifestantes percorreram a avenida à beira-mar desde a favela Chapéu-Mangueira até a altura do morro do Cantagalo, sempre isolados por um cordão da tropa de choque da Polícia Militar, e acabaram se dispersando na ladeira que dá acesso à comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Não houve episódios violentos.

"Eu parei para ver porque é algo que eu li na mídia e que me preocupava antes de vir. Mas está pacífico e não estraga em nada a festa. Acho que a Fifa deveria devolver mais do tanto que se beneficia", disse Luis Flores, biólogo norte-americano de 34 anos, que veio de San Diego para o Mundial no Brasil e filmava o protesto da calçada com o celular.

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