Ronaldo se diz surpreso com engajamento da população apesar de promessas não cumpridas

quinta-feira, 26 de junho de 2014 15:49 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-atacante Ronaldo afirmou nesta quinta-feira que está surpreso com o engajamento da população com a Copa do Mundo e acredita que isso se deve ao fato de os brasileiros estarem acostumados a promessas não cumpridas, depois de ter afirmado que se sentia "envergonhado" com os atrasos e dificuldades do país nos preparativos para o torneio.

"Parece que o brasileiro está acostumado com promessa não cumprida e vemos o brasileiro participando e acompanhando Copa. Poderia ser melhor se tudo o que foi prometido estivesse sido posto em prática”, disse a jornalistas em evento no Maracanã.

Depois de afirmar, em entrevista exclusiva à Reuters antes do início da Copa, que se sentia envergonhado com promessas feitas pelo governo para o torneio que não foram cumpridas, Ronaldo disse que o clima é amigável.

“A população nos surpreende positivamente. O clima era tenso antes da Copa com população descontente e estamos vivendo realmente um sonho e nenhum de nós pensava que poderia ter esse clima tão amistoso”, afirmou Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo.

Em 2013, houve manifestações em diversas cidades do país, inclusive nas seis sedes da Copa das Confederações, um torneio que funciona como uma espécie de teste para a Copa do Mundo. Os protestos, muitos dos quais resultaram en confrontos violentos, eram contra os gastos com o Mundial, por isso se temia o mesmo este ano.

Apesar de elogiar o comportamento da população brasileira e o nível do torneio com jogos de qualidade e muitos gols, Ronaldo reforçou as críticas ao legado do Mundial.

O ex-atacante, que foi duas vezes campeão mundial com o Brasil (1994 e 2002) e até o início desta Copa era o maior aritilheiro de todos os mundiais, deixou claro que suas críticas não se dirigiam à Fifa ou aos organizadores da Copa propriamente, mas sim àqueles que tinham que realizar obras, entre elas as de mobilidade urbana.

“Não critiquei a organização da Copa, o que critiquei é que poderia ser melhor se todas as obras de mobilidade fossem entregues. Não é a Fifa que vai chegar e mudar o país”, disse Ronaldo, que já declarou seu apoio ao candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, contra a presidente Dilma Rousseff, do PT, que busca a reeleição.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

 
Ex-atacante brasileiro Ronaldo, em Teresópolis. 6/10/2005 REUTERS/Arquivo/Bruno Domingos