Polícia identifica envolvimento de funcionário da Fifa em venda ilegal de ingressos

quinta-feira, 3 de julho de 2014 13:59 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro já identificou a participação de um funcionário da Fifa que facilitaria a ação dos suspeitos detidos nesta semana acusados de venderem ilegalmente ingressos da Copa do Mundo, informou o delegado responsável pelo caso nesta quinta-feira.

O grupo pretendia faturar cerca de 200 milhões de reais no Mundial do Brasil, segundo a polícia. "Por enquanto, o que dá para dizer é que uma pessoa na Fifa... dava facilidades à quadrilha”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Fábio Barucke, a jornalistas no Rio de Janeiro.

A polícia já tem o primeiro nome do integrante da Fifa, que aparece em escutas telefônicas. Um relatório com o nome dele e trechos das conversas será entregue à entidade ainda nesta quinta para facilitar a identificação.

O “intermediário” da Fifa está no Brasil acompanhando a Copa do Mundo, segundo a polícia. “Ele é um estrangeiro que se prepara para deixar o país logo após o fim da Copa e está no Copacabana Palace onde está parte da Fifa", declarou Barucke, sem dar mais detalhes.

As investigações apontam que ele tinha acesso ao quartel-general da entidade em um hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, usava um cartão de estacionamento da Fifa para ter acesso a estádios e áreas reservadas. Teria ainda contatos dentro da entidade que lhe permitiam obter ingressos para serem negociados.

A porta-voz da Fifa, Delia Fischer, disse nesta quinta que a entidade vai se reunir com as autoridades e aguarda receber mais informações sobre as investigações antes de se posicionar.

"Há muitos rumores em torno disso. Teremos uma reunião com eles (autoridades). Precisamos receber as informações. E como vocês sabem, frequentemente é muito fácil chegar a uma conclusão sobre quem é a Fifa e qual entidade está lá. Muitas vezes as pessoas chegam à conclusão de que é a Fifa e talvez não seja da Fifa", disse ela.

"Vamos esperar pelas informações das autoridades e então chegar a uma conclusão. Veremos e agiremos de acordo... Não podemos comentar até termos mais informações."

Os ingressos apreendidos com os suspeitos na operação policial --batizada de Jules Rimet em referência ao troféu da Copa até 1970-- eram de patrocinadores, organizações não-governamentais (ONGs) e seleções do Mundial, inclusive a brasileira.   Continuação...

 
Torcedor colombiano mostra seus ingressos para partidas da Copa do Mundo no Rio de Janeiro. 18/04/2014. REUTERS/Ricardo Moraes