3 de Julho de 2014 / às 17:44 / 3 anos atrás

Goleiros roubam o show no Mundial apesar de enxurrada de gols

Goleiro dos EUA, Tim Howard, salva gol em partida contra Bélgica, na Arena Fonte Nova, Salvador/ 1/7/2014 REUTERS/Ruben Sprich

BELO HORIZONTE (Reuters) - Os torcedores de todo o mundo têm comemorado a grande quantidade de gols na Copa do Mundo no Brasil, mas são os goleiros, e não os atacantes, quem têm merecido mais manchetes no torneio durante a fase de mata-mata.

Em um Mundial que bem antes das quartas de final já tinha ultrapassado e muito os 145 gols da Copa da África do Sul em 2010, os goleiros têm roubado o show com uma série de desempenhos brilhantes.

Um indício de sua qualidade é o fato de que, quando a Argélia perdeu de 2 x 1 para a Alemanha na prorrogação, o goleiro argelino Rais Mbolhi foi eleito o jogador da partida, apesar da eliminação de sua seleção.

Até a Alemanha marcar seu primeiro gol no início do tempo extra, ele deteve sozinho os tricampeões, frustrando seus ataques com defesas soberbas que deram esperanças aos norte-africanos até o fim.

No mesmo jogo, o alemão Manuel Neuer deu uma aula de goleiro, saindo da área em boa parte do jogo para anular o perigo quando sua zaga era pega desprevenida.

Neuer minimizou seu desempenho depois da partida. “Sempre jogo assim, inclusive no Bayern de Munique”.

Mas analisando seu posicionamento durante o jogo, Neuer, que já atuou na linha quando jovem e participa do bate-bola nos treinos, atuou bastante fora da área. Ele chegou a alcançar 22,4 quilômetros por hora quando disparou para deter um atacante argelino.

Por isso não foi surpresa que, nas oitavas de final, cinco dos melhores jogadores em campo foram goleiros.

JOVENS TALENTOS

Tirando Neuer, alguns dos pesos-pesados da Copa não cumpriram com as expectativas, como Iker Casillas, da Espanha, e Igor Akinfeev, da Rússia.

Ao invés disso, foram nomes menos conhecidos que roubaram o show --como o goleiro mexicano Guillermo Ochoa, atualmente sem clube, que frustrou o anfitrião Brasil no empate sem gols que ajudou sua seleção a chegar à fase eliminatória.

Na sequência, Ochoa conteve os holandeses repetidas vezes até sofrer dois gols nos minutos finais, mas ainda assim brilhou o suficiente para ser eleito o melhor jogador em campo nos dois confrontos.

Keylor Navas, da Costa Rica, lidou ainda melhor com a pressão da Grécia nas oitavas, fazendo tudo certo durante quase uma hora quando seu time estava reduzido a dez homens.

Ele mostrou o valor novamente na prorrogação, quando os gregos partiram para o ataque como se sentissem que, se fossem para os pênaltis, Navas faria sua parte mais uma vez.

Foi exatamente o que ele fez, salvando uma cobrança e levando os centro-americanos para as oitavas, e até recebendo elogios dos gregos.

Navas, que joga no espanhol Levante mas agora está sendo cortejado por grandes clubes, tem vários truques na manga. Um deles é defender bolas de tênis atiradas contra seu gol a 160 quilômetros por hora pelo tenista Pablo Andujar, da equipe espanhola na Copa Davis, de uma distância de 20 metros para melhorar os reflexos.

O goleiro dos Estados Unidos, Tim Howard, também foi coberto de elogios por deter 16 ataques da Bélgica antes de sua seleção ceder à pressão dos europeus. Ele foi a única razão de seu time ir para a prorrogação antes de perder de 2 x 1, e os belgas o cumprimentaram com abraços e tapas nas costas no final do embate.

Foi o maior número de grandes defesas em uma Copa do Mundo desde 1966, de acordo com a Fifa.

SEM OSCILAÇÕES 

Dois dos motivos para o desempenho exemplar dos goleiros sem dúvida são a baixa altitude em comparação à África do Sul e a pouca oscilação da bola, especialmente em chutes de longa distância.

No torneio de 2010, os goleiros já se queixavam antes do início da competição de que a bola oficial, aliada à alta altitude, tornava quase impossível prever a trajetória da bola.

Outra razão óbvia é que as defesas neste Mundial são muito mais abertas e o vaivém é maior durante o jogo.

As zagas de Itália e Alemanha são uma pálida sombra de suas linhas defensivas quase impenetráveis do passado.

O esquema tiki-taka da Espanha, que envolve muita posse de bola e reduz drasticamente o ritmo de jogo, também está saindo de moda, fazendo com que o jogo mais aberto visto no Brasil pareça uma corrida de Fórmula Um quando comparado ao da Copa de quatro anos atrás.

Mesmo o brasileiro Júlio Cesar, ovelha negra de 2010, virou herói. O goleiro, crucificado depois dos erros que levaram à eliminação da seleção diante da Holanda, fez defesas contra o Chile na cobrança de pênaltis das oitavas de final que definiram o resultado e a passagem para a fase seguinte.

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