3 de Julho de 2014 / às 20:59 / em 3 anos

Sucesso nos pênaltis envolve mais ciência que arte, mostram estatísticas

Gonzalo Jara, do Chile, bate pênalti e acerta trave do brasileiro Júlio Cesar, em partida pelas oitavas de final no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. 28/6/2014Peter Jebautzke

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As decisões nos pênaltis são usadas na Copa do Mundo desde 1982, mas, embora cada uma das 24 já disputadas tenha sido descrita em geral com "dramática", existe mais ciência que arte na cobrança da penalidade.

Essas decisões também costumam ser definidas como “uma loteria”, mas as estatísticas sugerem que são tudo menos isso, e que “o teste definitivo da técnica e do nervosismo sob intensa pressão” provavelmente é uma descrição mais exata.

Como em muitos outros aspectos do esporte profissional, alguns jogadores, e alguns países, parecem brilhar na marca do pênalti, enquanto outros desmoronam.

A primeira decisão nos pênaltis a decidir uma partida internacional de peso aconteceu após a final do campeonato europeu de 1976, quando a Tchecoslováquia derrotou a Alemanha Ocidental por 5 x 3 com o famoso ‘toquinho’ de Antonin Panenka. Os tchecos participaram de mais duas decisões europeias do tipo desde então e venceram ambas, e impressionam por ter convertido todos seus 20 pênaltis.

Obviamente os alemães aprenderam com a experiência, e logo se tornaram mestres do assunto na Copa. Se Uli Stielike perdeu a cobrança na vitória sobre a França na primeira disputa de pênaltis da história do Mundial, na semi-final de 1982, nas três ocasiões seguintes o time converteu todas as vezes e venceu quatro das quatro disputas.

Na semana passada, na vitória sobre o Chile, o Brasil acumulou três decisões vitoriosas nos pênaltis contra um fiasco, e a Argentina tem histórico igual.

Já a Inglaterra fracassou nas três vezes em que decidiu na penalidade máxima, assim como três de quatro decisões na Euro.

É difícil argumentar que o histórico perfeito da Alemanha, ou o terrível da Inglaterra, é resultado de sorte, e hoje em dia, com a disponibilidade de dados estatísticos, a lógica por trás do que funciona ou não se torna evidente.

“As decisões nos pênaltis geraram uma grande quantidade de estudos nos últimos anos, na tentativa de se chegar a estratégias ideais tanto para o batedor de pênalti quanto para o goleiro”, afirmou à Reuters Robert O’Connor, analista de dados do site www.onlinegamblingbible.com que escreve sobre o uso de análises estatísticas para a obtenção de vantagens nas apostas esportivas.

“Quem começa batendo vence a decisão em cerca de 60 por cento das vezes. Foi incomum a Grécia ter esse direito e preferir deixar a Costa Rica começar --e ela perdeu”.

O'Connor disse que os dados foram processados para apresentar o bater de pênalti perfeito, tanto na técnica quanto no comportamento.

“Ele deve ser canhoto, ter uma rotina bem estabelecida antes de chutar e, se possível, estar de camisa vermelha”, afirmou.

“Atacantes têm uma taxa de 83,1 por cento de sucesso, e zagueiros só 73,6 por cento. Jogadores com menos de 22 anos são bem sucedidos 85 por cento das vezes, enquanto seus colegas mais velhos converter cerca de 78 por cento das cobranças”.

"Todas as pesquisas concordam com isso: chute o mais forte que puder, no meio, mas alto no teto do travessão", disse ele.

"Os goleiros saltam baixo para a esquerda ou para a direita 94 por cento das vezes, então, se você chutar alto, mesmo com a perna esticada eles não vão alcançar, e os dados mostram que 100 por cento dos chutes no terço superior da rede são gols”.

Isso, claro, é mais fácil falar do que fazer.

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