5 de Julho de 2014 / às 01:48 / 3 anos atrás

ANÁLISE-Sem Neymar, Brasil perde sua grande esperança e fica mais distante do hexa

Neymar deixa o campo em uma maca após receber joelhada nas costas em partida contra a Colômbia no Castelão, em Fortaleza/ 4/4/2014.Fabrizio Bensch

FORTALEZA (Reuters) - O tamanho da ausência de Neymar para a seleção brasileira se explica de forma direta: se não fosse pelo camisa 10 o Brasil não teria o mesmo peso de favorito ao título da Copa do Mundo, mesmo jogando em casa.

O atacante de 22 anos, que está fora do Mundial por uma fratura sofrida em campo, era o grande craque do time e dividia com o argentino Lionel Messi, seu colega de equipe no Barcelona, todas as atenções dessa Copa, a primeira de sua carreira.

A sonhada final Brasil x Argentina no Maracanã ainda é possível, mas o tira-teima Neymar x Messi não vai mais acontecer.

"Ficamos tristes pelo desfalque do atleta e pelo ser humano que perde a chance de realizar um sonho. Sabemos o quanto ele se prepara e sonha em brilhar com um título", disse o zagueiro da seleção David Luiz.

Neymar levou uma joelhada nas costas do colombiano Juan Zúñiga nos minutos finais da vitória do Brasil por 2 x 1 sobre a Colômbia pelas quartas de final do Mundial, nesta sexta-feira, no Castelão, em Fortaleza.

Ele saiu de campo de maca e chorando, num momento marcado pela apreensão da torcida que via com preocupação a possível perda de seu ídolo e maior esperança de título.

Foi em grande parte graças a Neymar que a seleção brasileira conquistou a Copa das Confederações do ano passado, torneio que marcou uma virada para um time visto até então com desconfiança e que colocou o Brasil entre os grandes candidatos ao título mundial após derrotar a Espanha por 3 x 0 na decisão.

Assim como nos jogos do ano passado, Neymar foi decisivo na maioria das partidas do Brasil nesta Copa do Mundo, em especial diante da queda de rendimento do conjunto como um todo, o que fez sobressair ainda mais a importância do jogador para a equipe.

Se não fossem pelas jogadas de Neymar, o Brasil corria o risco até mesmo de ser eliminado ainda na primeira fase da Copa do Mundo em casa. Foram quatro gols do atacante e participação direta em ao menos mais dois de um total de dez gols do Brasil na Copa.

O camisa 10 empatou o jogo de estreia contra a Croácia numa jogada individual e virou o marcador ao converter uma cobrança de pênalti. Contra Camarões praticamente levou o time sozinho no primeiro tempo, quando a equipe venceu apertado por 2 x 1, e depois também foi importante para ajudar a equipe a deslanchar na etapa final até golear por 4 x 1.

No jogo das oitavas de final contra o Chile, saiu dele a cobrança de escanteio que resultou no gol de David Luiz, e também coube ao camisa 10 converter a última cobrança de pênalti do Brasil. Ainda foi Neymar que bateu o corner que Thiago Silva mandou para a rede abrindo o marcador contra a Colômbia.

Para exemplificar a importância de Neymar para a seleção brasileira o técnico Luiz Felipe Scolari costuma recorrer a uma comparação: o camisa 10 é tão importante para o Brasil como Messi é para a Argentina.

ALTERNATIVAS

Não há alternativas à altura para ele no banco de reservas. Willian é um dos possíveis substitutos, tendo treinado algumas vezes no time titular no lugar dele. O outro jogador da posição seria Bernard, mas o caçula do time, de 21 anos, tem treinado mal.

Felipão ainda pode mudar o esquema, adiantando Hulk para jogar ao lado de Fred e promovendo a entrada de mais um homem de meio-campo: Paulinho, Hernanes ou Ramires.

O certo é que o treinador ganhou uma arma extracampo com a ausência de Neymar: o grupo prometeu buscar o título em nome do grande ídolo do futebol brasileiro.

"Temos um motivo a mais para jogar com o coração nessa Copa: Neymar, tenha a certeza de que nosso grupo te ama e dará a vida para conquistar esse título por você. Você era e continuará sendo o craque e a alma da nossa seleção", escreveu o atacante Fred em mensagem ao colega de seleção no Facebook.

O treinador e os jogadores também poderão encontrar inspiração no passado. Na Copa do Mundo de 1962 a seleção brasileira perdeu Pelé devido a uma contusão e mesmo assim conquistou o bicampeonato mundial.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below