7 de Julho de 2014 / às 18:33 / 3 anos atrás

Di Stéfano, lenda do Real Madrid, morre aos 88 anos

Cristiano Ronaldo e Alfredo Di Stéfano, do Real Madrid, em cerimônia realizada em Madri. 3/11/2011Sergio Perez

(Reuters) - Frequentemente colocado junto a Pelé e Diego Maradona como um dos maiores expoentes do futebol, Alfredo Di Stéfano, que faleceu nesta segunda-feira aos 88 anos, foi um dos jogadores mais completos de todos os tempos.

Zagueiro habilidoso, uma potência no meio-campo, um armador perspicaz e um atacante prolífico, ele era visto cobrindo a defesa, disparando no meio campo, armando jogadas para os atacantes e balançando a rede, tudo no mesmo jogo.

Conhecido como 'La Saeta Rubia' ("A Flecha Loira"), seus feitos no campo ajudaram a transformar o Real Madrid, time ao qual se juntou em 1953, em um dos maiores do mundo.

Graças a ele, o Real deixou de ser um time de segunda categoria para se tornar um dos reis do continente --foram cinco Copas Europeias consecutivas entre 1956 e 1960, e ele marcou gols em todas elas.

"As pessoas se dividem entre Pelé e Maradona," disse Pelé à imprensa espanhola no final de 2009. “Para mim, Di Stéfano é o melhor. Era muito mais completo”.

Di Stéfano foi o pai do "futebol total" e estava anos à frente do seu tempo quanto à maneira como encarava sua carreira profissional. No linguajar moderno, ele foi o primeiro “Galático”.

Pronto para jogar para quem pagasse mais, ele também foi acusado por alguns de ser um mercenário do futebol. Ele se misturava com ricos e famosos, estreou um filme sobre si mesmo e foi vítima de um sequestro dramático na Venezuela.

Brusco, egocêntrico, impaciente e de humor ácido, não tolerava tolices.

Mas acima de tudo, Di Stéfano foi um jogador brilhante e competidor aguerrido, que deixou uma marca permanente na história do esporte.

“Sempre senti que tinha um trabalho a fazer, o que significa que você tem que alcançar a perfeição”, disse Di Stéfano em uma entrevista à revista semanal espanhola Don Balón em outubro de 2010. “Tentava dar meu melhor, e as pessoas me recompensavam com aplausos”.

Eleito jogador Europeu do Ano duas vezes, em 1957 e 1959, Di Stéfano marcou 418 gols em 510 jogos oficiais com o Real Madrid.

Nascido na Argentina, Di Stéfano assinou com o River Plate aos 15 anos, estreando no time principal dois anos mais tarde. Ele conquistou dois títulos nacionais e levou sua seleção ao título da Copa América com 20 anos, marcando seis gols em seis partidas.

Mais tarde ele seguiu muitos compatriotas atraídos pelos altos salários da liga colombiana, sendo atraído ao Millonarios de Bogotá em 1949.

LENDA DO REAL MADRID

Di Stéfano chamou atenção na Espanha quando disputou uma partida de exibição nas comemorações de 50 anos do Real Madrid em 1952, tornando-se personagem de uma das mais polêmicas sagas de transferência da história do futebol espanhol quando Real e Barcelona se envolveram em um cabo de guerra para garantir seus serviços.

Dependendo do ponto de vista, o Real venceu o embate ou porque tinha os negociadores mais capazes ou por causa da conivência do governo.

O general Moscardo, braço direito de Francisco Franco, intermediou um acordo segundo o qual os dois times compartilhariam o jogador, que passaria temporadas alternadas em ambos, mas o Barça acabou recuando.

Com Di Stefano, o Real deixou de ser um clube com dois títulos na liga em seus 50 anos de vida para se impor como potência dominante na Espanha e na Europa.

Além das cinco Copas Europeias seguidas, foi campeão espanhol oito vezes e conquistou o primeiro Mundial de Clubes em 1960, quando Di Stéfano liderou a caminhada vitoriosa ao lado de outros grandes como Ferenc Puskás, Raymond Kopa, Paco Gento e Héctor Rial.

O astro deixou o Real depois de 11 temporadas e voltou a Barcelona para atuar no Espanyol, aposentando-se dois anos mais tarde, aos 40, e 22 anos depois de sua estreia em casa no River Plate.

Embora mais conhecido como jogador, Di Stéfano também se distinguiu como técnico, obtendo títulos com os pesos-pesados argentinos Boca Juniors e River Plate e com o Valência, e ainda ajudou o Real a ser vice-campeão nas campanhas de 1982 e 1984.

Ele teve vários problemas de saúde nos últimos anos e era visto em público frequentemente em uma cadeira de rodas.

Di Stefano recebeu um marca-passo em 2005, após uma cirurgia cardíaca.

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