July 7, 2014 / 8:09 PM / 3 years ago

Suspeito ligado à Fifa é preso acusado de participar de venda ilegal de ingressos

5 Min, DE LEITURA

Torcedor mostra ingressos para Copa do Mundo, no Rio de Janeiro. 18/4/2014Ricardo Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta segunda-feira um executivo da Match Services, empresa ligada à Fifa, suspeito de facilitar o repasse de ingressos a um grupo acusado de venda ilegal, de acordo com comunicado.

A prisão de Raymond Whelan, 64 anos, ocorreu no hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio, onde o suspeito estava hospedado. A cúpula da Fifa vem usando o mesmo hotel durante a Copa do Mundo.

Com ele, foram apreendidos 82 ingressos para jogos da Copa do Mundo, um computador, um celular e documentos, e esses materiais serão periciados, informou a assessoria de comunicação da polícia.

"Whelan era um facilitador para a quadrilha ter acesso e vender os ingressos, já que a Match presta serviços para a Fifa", disse a nota da polícia, atribuindo a afirmação ao delegado Fábio Barucke, responsável pela investigação.

Além disso, o executivo também foi "flagrado nas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, negociando ingressos com o argelino Mohamadou Lamina Fofana", segundo Barucke.

Fofana foi um dos presos na "Operação Jules Rimet", que na semana passada resultou em 11 suspeitos detidos por envolvimento em um esquema ilegal de vendas de ingressos da Copa. Ele seria o líder da alegada quadrilha.

Segundo a polícia, o grupo de Fofana estimava que poderia faturar com a Copa do Mundo no Brasil cerca de 200 milhões de reais.

O executivo da Match, a agência de viagens oficial da Fifa, teve a prisão temporária decretada pela Justiça a pedido da polícia por temer que ele pudesse tentar deixar o país.

Whelan foi levado à 18ª Delegacia de Polícia para ser interrogado.

Segundo o site da Match Services, a agência "é uma companhia de serviços profissionais apontada pela Fifa para fornecer ingressos, acomodação e tecnologia da informação de eventos" para a entidade que governa o futebol internacional. Um porta-voz da Match não pôde ser imediatamente encontrado para comentários sobre a prisão de Whelan.

Na semana passada, a polícia havia informado que as investigações apontavam que um suspeito ligado à Fifa tinha acesso ao quartel-general da entidade no hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, usava um cartão de estacionamento da Fifa para ter acesso a estádios e áreas reservadas. Teria ainda contatos dentro da entidade que lhe permitiam obter ingressos para serem negociados.

A Fifa informou, ao saber da operação na semana passada, que se reuniria com as autoridades e aguardaria mais informações sobre as investigações antes de se posicionar.

A polícia informou que possui aproximadamente 50 mil escutas telefônicas que detalham a participação de cada um dos suspeitos de envolvimento no esquema.

Pacotes Cancelados

Mais cedo, antes de Whelan ser detido, a Match havia anunciado o bloqueio das vendas de pacotes corporativos de hospitalidade de três companhias, assim como o cancelamento de pacotes similares de uma quarta empresa, por conta das investigações.

Esses pacotes cancelados são referentes à Atlanta Sportif, cujo presidente-executivo, Lamine Fofana, estava entre 11 presos na semana passada que fariam parte do esquema.

Pacotes vendidos pelas empresas Reliance Industries, Jet Set Sports e Pamodzi foram bloqueados após ingressos com seus nomes terem sido encontrados em posse de Fofana.

"Eles vão cooperar com a Match Hospitality ao ajudar as autoridades com suas investigações a respeito de pacotes de hospitalidade com seus nomes encontrados em posse do senhor Fofana", disse a Match.

"Se isso falhar, a Match Hospitality cancelará seus ingressos para a semifinal e a final."

A Match acrescentou que seus termos expressamente proíbem a revenda de ingressos.

"A Match Hospitality continuará a investigar e a cooperar a respeito de todos os ingressos apreendidos pela polícia, rastreando seu envolvimento com qualquer revenda ilegal, e permanece comprometida a evitar a revenda ilegal para ingressos da Copa do Mundo da Fifa 2014", acrescentou.

Os suspeitos são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro, cambismo e associação criminosa.

Por Rodrigo Viga Gaier e Brian Homewood

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