Amarildo, herói em 1962, diz que não há salvador óbvio na seleção agora

terça-feira, 8 de julho de 2014 09:36 BRT
 

Por Andrew Downie

SÃO PAULO (Reuters) - O jovem atacante que assumiu o lugar de Pelé e ajudou o Brasil a vencer a Copa do Mundo de 1962 acredita que há paralelos com a perda de Neymar, mas também que não há salvadores óbvios neste momento na seleção brasileira.

“Não é a mesma coisa, embora haja algumas similaridades”, disse Amarildo, o homem que mostrou ao Brasil o caminho da vitória no Chile, em entrevista à Reuters na segunda-feira.

“A grande diferença é que o time de 1962 tinha 22 jogadores excepcionais. Não interessava quem saísse, havia um grande jogador para assumir seu lugar e sabíamos que quem entrasse faria um grande trabalho.”

“Modéstia à parte, a diferença é grande. O único atacante que a seleção tem é Fred e ele não está na mesma classe que os jogadores de 1962. Tínhamos Coutinho, companheiro de Pelé no Santos, tínhamos o Vavá. E Garrincha estava lá também. Ele era extraordinário."

Amarildo, que hoje tem 74 anos, era um reserva de 22 anos em 1962 e não esperava jogar quando Pelé teve uma lesão no músculo da coxa após 27 minutos do segundo jogo da fase de grupos, contra a Checoslováquia.

Não havia substituições naquela época, mas tamanho era o respeito por Pelé que os jogadores checos se recusaram a tirar vantagem de sua lesão, e a partida se encerrou em 0 x 0, com o craque brasileiro mancando em campo.

“Ele continuou jogando, mas estava claramente machucado, então eu disse a meus colegas que quando Pelé estivesse com a bola eles não deveriam forçar a jogada”, disse no ano passado o então capitão checo, Josef Masopust, durante a Copa das Confederações.

Amarildo teve sua chance no jogo seguinte contra a Espanha, e marcou os dois gols do Brasil em uma vitória por 2 x 1.   Continuação...