9 de Julho de 2014 / às 00:52 / 3 anos atrás

Indignação supera tristeza de torcedores após derrota de 7 x 1 para Alemanha

Torcedor reage na praia de Copacabana durante jogo Brasil x Alemanha. 08/07/2014 REUTERS/Pilar Olivares

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Indignação e humilhação foram os sentimentos predominantes entre torcedores brasileiros após a goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil pela semifinal da Copa do Mundo em casa nesta terça-feira, com muitos incrédulos com o placar arrasador de 7 x 1.

“Eu não estou nem triste, me sinto surpreso. A derrota faz parte da vida, mas perder desse jeito não dá para entender. Nós brasileiros não estamos acostumados a esse tipo de derrota”, afirmou Marcelo Cardoso, de 46 anos, no Fan Fest nas areias de Copacabana, uma das festas oficiais montadas pela Fifa para o Mundial.

Alguns ainda chegaram a derramar lágrimas quando o atacante Klose marcou o segundo gol da Alemanha, ainda aos 23 minutos de jogo, calando o grito de “eu acredito” entoado pelos torcedores em Copacabana. Mas a partir dali as demonstrações de tristeza foram substituídas por reações de indignação.

“Isso é uma vergonha. Era de se esperar, já que o Brasil estava sem Neymar e não sabe jogar no coletivo, mas isso é humilhante”, afirmou o técnico em saneamento Joselito Soares Pereira, de 49 anos, que após o quinto gol alemão resolveu deixar o Fan Fest e levar os três filhos para casa.

A seleção brasileira foi atropelada pela Alemanha no primeiro tempo e, de forma inacreditável, levou em apenas seis minutos quatro dos cinco gols sofridos no primeiro tempo no Mineirão, dando adeus ao sonho do hexacampeonato mundial.

Muitos torcedores não demoraram a eleger o técnico Luiz Felipe Scolari como o principal culpado. Felipão optou pelo jovem Bernard para substituir Neymar, principal estrela do Brasil que está fora do torneio após ter uma vértebra fraturada na partida contra a Colômbia, pelas quartas de final.

“Na hora que saiu a escalação eu já achava que não dava para ganhar, o certo seria colocar três volantes. Desconfiava que ia perder, mas nunca poderia imaginar isso”, disse Phelipe Alves, de 20 anos. Apesar de estar usando uma camisa da Alemanha, ele torcia efusivamente pelo Brasil no início da partida.

Alves engrossou o contingente de torcedores que, arrasados e inconformados, desistiram de assistir ao jogo ainda na primeira etapa, uma cena que se repetiu em outras cidades do país e ressuscitou o sentimento de decepção da Copa de 1950, quando o Brasil perdeu a final para o Uruguai no Maracanã por 2 x 1, no que ficou conhecido como “Maracanazo”.

Para a aposentada Lourdes Moura, de 88 anos, que era estudante de medicina quando o Brasil perdeu a final há 64 anos, a derrota para a Alemanha “é uma humilhação”.

“É pior que 1950... Na época chorei, chorei mesmo. Agora estou com raiva”, disse ela, que assistiu ao jogo em outro ponto do Rio de Janeiro.

Fora da final do Mundial de 2014, o Brasil se torna o primeiro campeão do mundo a sediar a Copa por duas vezes sem ter conseguido conquistar ao menos um título diante de sua torcida.

O estudante de direito Pedro Nilhomem, de 21 anos, assistia o jogo em Brasília com um casal de amigos no Bar do Alemão, em uma triste ironia. “É embaraçoso. É pior que o ‘Maracanazo’”, afirmou. “Você não tem ideia de como estou triste. Eu nunca esperava algo assim e acho que ninguém esperava algo como isso acontecer.”

O cineasta e ator Samir Abujamra pensa diferente. “Não é tão ruim quanto 1950 por várias razões, primeiro porque não é final. Também em 1950 ninguém podia imaginar que o Brasil poderia perder. Todo mundo acreditou, tinha uma eufanismo”, disse ele, que interpreta o locutor do “Maracanazo” no filme “United Passions”, sobre o ex-presidente da Fifa Jules Rimet.

“Agora todo mundo estava com dúvidas sobre o time. Ninguém acreditou agora como acreditou em 1950”, acrescentou Abujamra.

O sentimento de perplexidade nas ruas também foi visível no Mineirão, palco da maior goleada sofrida pelo Brasil na história das Copas.

O fim da lua-de-mel do time de Felipão com a torcida presente nos estádios, que mesmo em momentos anteriores difíceis neste Mundial incentivou a equipe brasileira, foi sacramentado em Belo Horizonte depois que o Brasil sofreu quatro gols relâmpagos.

Muitos torcedores deixaram o estádio ainda no primeiro tempo, enquanto os que continuaram vaiaram a equipe brasileira, aplaudiram a Alemanha e gritaram “olé” quando o time europeu tocava a bola.

MESMO NA TRAGÉDIA, BOM HUMOR

Nas redes sociais, o sentimento de indignação de torcedores era dividido com piadas.

“Alguém anotou a placa do Volkswagen que nos atropelou?”, publicou uma internauta em sua página no Facebook, numa alusão à montadora alemã.

“Agora é torcer para um placar de 5 x 0 para a Holanda no jogo com a Argentina”, postou outro torcedor, referindo-se à semifinal que definirá o adversário da Alemanha na final do Mundial no próximo domingo, no Maracanã.

Com reportagem adicional de Alonso Soto, em Brasília, e Jeb Blount, no Rio de Janeiro

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