July 9, 2014 / 7:54 PM / 3 years ago

Felipão diz ainda não saber explicar "pane geral" e defende entrada de Bernard

5 Min, DE LEITURA

Técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari em coletiva de imprensa na Granja Comary, em Teresópolis. 9/7/2014Marcelo Regua

TERESÓPOLIS Rio de Janeiro (Reuters) - O técnico Luiz Felipe Scolari disse nesta quarta-feira que ainda não sabe explicar a "pane geral" que tomou conta da seleção brasileira e levou à derrota por 7 x 1 contra a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, e defendeu a escolha por Bernard como substituto de Neymar, apesar dos erros de marcação da equipe.

    A "pane" aconteceu em um período de seis minutos no primeiro tempo da partida, durante o qual o Brasil tomou quatro gols dos alemães e se viu perdendo por 5 x 0 com menos de 30 minutos de jogo no estádio do Mineirão.

    Quase 24 horas depois da partida, o técnico disse que ainda não sabe o que aconteceu com um time que até então tinha como pior derrota numa Copa do Mundo o 3 x 0 sofrido contra a França na final de 1998.

    "Se eu pudesse responder com consciência o que aconteceu naqueles 6 minutos eu responderia, mas eu também não sei. É inimaginável", disse o treinador em entrevista coletiva no centro de treinamento da Granja Comary, em Teresópolis (RJ).

    "A pane também foi da comissão técnica, do torcedor, foi geral, ninguém se entendia, e a equipe da Alemanha, que é boa, aproveitou a oportunidade", afirmou Felipão ao lado de seis membros de sua comissão técnica, incluindo o coordenador Carlos Alberto Parreira.

    "Não tenho como explicar, não vou justificar. Aconteceu um erro e esse erro foi fatal. Podíamos perder por 1 ou por 2, mas perdemos de uma forma que nunca havíamos perdido antes na história do futebol brasileiro", acrescentou.

    A derrota diante da Alemanha, a pior da seleção brasileira em 100 anos de história, enterrou a busca do Brasil pelo primeiro título da Copa do Mundo em casa, em sua segunda tentativa. Em 1950, o Brasil perdeu a final para o Uruguai no Maracanã, resultado que era apontado como o maior fracasso do futebol brasileiro.

    Entre os campeões do mundo que realizaram a Copa duas vezes, o Brasil é o único que jamais conquistou o título diante de sua torcida.

"Eu sei o que aconteceu, sei o que é a mancha, eu sei o que é a vergonha, e sinto, e isso não vai sair de mim, mas eu vou seguir a minha vida, os jogadores vão seguir a vida deles", reconheceu Felipão.

A goleada alemã no Mineirão foi construída com o domínio do meio-campo, que resultou numa avalanche de gols entre os minutos 23 e 29. Mesmo assim, o técnico disse não ter se arrependido da formação que mandou a campo com Bernard aberto pela ponta como substituto de Neymar, fora do jogo devido a uma lesão.

Fragilidade Do Meio-Campo

    Felipão havia escalado Paulinho como substituto de Neymar no time titular no único treino do Brasil antes do jogo, reforçando o meio-campo com um terceiro volante, mas reconheceu depois da partida que fez isso apenas para tentar despistar o time da Alemanha.

    Como titular, Bernard não conseguiu encontrar os espaços que o técnico esperava e o Brasil pagou pela fragilidade do meio-campo formado por Luiz Gustavo, Fernandinho e Oscar.

    "Dos 28 jogos (desde 2013) o Bernard no mínimo estava em 24, jogou em 18 ou 17, e sabia perfeitamente como nós iríamos jogar e o que nós queríamos", disse o treinador.  

    Nas palavras do coordenador Parreira, que antes da Copa apontou o Brasil como maior favorito e disse que o time já chegou para o Mundial como “a mão na taça”, o que aconteceu contra a Alemanha "foi um tsunami que não tem explicação".

    Felipão, que assumiu a seleção brasileira no lugar de Mano Menezes no fim de 2012, disse que seu futuro à frente da equipe será decidido somente após a disputa de sábado pelo terceiro lugar da Copa do Mundo.

    "Temos um compromisso com a CBF até o final do Mundial", disse o treinador quando questionado sobre seu futuro. "Depois disso vamos conversar com a direção da CBF".

    Desde o retorno do técnico pentacampeão do mundo em 2002 ao comando da seleção brasileira foram 28 partidas, com 19 vitórias, 6 empates e três derrotas.

    Felipão conduziu o time ao título da Copa das Confederações do ano passado com uma vitória de 3 x 0 sobre a Espanha, que deu nova esperança à torcida depois de resultados ruins sob comando do antecessor Mano Menezes.

    Numa avaliação geral do desempenho do Brasil na Copa, o técnico reconheceu que a seleção não conseguiu repetir as atuações de 2013.

   “Nós não tivemos o mesmo nível, mas fomos indo dentro do que nós tínhamos planejado, fomos conseguindo atingir os resultados”, disse.

“Quando chegamos contra a Alemanha é que tivemos a dificuldade naqueles minutos que nós não sabemos como aconteceu.”

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