9 de Julho de 2014 / às 21:29 / em 3 anos

Excesso de pressão causou pane no Brasil, dizem alemães

SANTO ANDRÉ Bahia (Reuters) - O técnico alemão Joachim Loew acredita que os jogadores brasileiros ficaram sobrecarregados pela pressão de tentar vencer uma Copa do Mundo em casa, mesma impressão expressada por vários atuais e ex-jogadores após a surra do Brasil por 7 x 1 na semifinal do Mundial.

Jogador Oscar (esquerda) é confortado por técnico Luiz Felipe Scolari após derrota do Brasil para Alemanha, no Mineirão, em Belo Horizonte. 8/7/2014 REUTERS/David Gray

A Alemanha, que tem um psicólogo esportivo acompanhando a equipe desde 2004, empenhou-se também em blindar seus jogadores das pressões do Mundial, estabelecendo sua concentração em um complexo construído ao estilo de uma fortaleza especificamente com esse objetivo, em uma praia remota da Bahia.

A postura relaxada e sempre contida dos jogadores alemães fizeram um contraste gritante com as emoções afloradas e as lágrimas derramadas pelos jogadores brasileiros ao longo do torneio, cenas capazes de impressionar alguns alemães.

“Talvez a pressão tenha sido demais”, disse Loew, em uma entrevista publicada no site da federação alemã de futebol (DFB, na sigla em alemão), ao ser perguntado sobre a razão que levou o Brasil a desmoronar no primeiro tempo, em que os alemães marcaram cinco gols.

“As expectativas sobre o time em seu país pode ter paralisado eles. Sabemos tudo sobre isso a partir de nossa experiência em 2006”, disse ele, referindo-se à decepcionante derrota da Alemanha para a Itália por 2 x 0 em casa.

“É por isso que eu sinto pelo meu colega Luiz Felipe Scolari, porque eu sinto pelo time brasileiro e por toda nação brasileira”, disse ele.

“Eu falei com (o zagueiro) Dante o outro dia e ele me disse que o time se sustentava somente na emoção”, disse Giovane Élber, ex-atacante da seleção brasileira e do Bayern de Munique que hoje trabalha como comentarista para uma TV alemã.

“Dante me disse que eles estavam tentado passar de cada fase na base da emoção. Mas vimos que o time desmoronou após perder. Você pode vencer uma ou duas partidas só na emoção, mas nunca vai conquistar uma Copa do Mundo somente com emoção e sem tática”, acrescentou.

O psicólogo Hans-Dieter Hermann acompanha o time alemão desde 2004, quando foi integrado à delegação pelo técnico Juergen Klinsmann. Alguns fizeram cara feia no início, mas todos rapidamente se acostumaram à presença de Hermann e desde então ninguém na seleção alemã questionou a sua contribuição à equipe.

A comissão técnica da Alemanha tem falado extensivamente no Brasil sobre aquela que seria sua arma secreta --aquilo que eles chamam “Nerenstaerke”, ou “força nos nervos”-- que os teria ajudado a ficar entre os quatro melhores nas últimas quatro Copas.

O ex-goleiro da seleção da Alemanha Oliver Kahn disse estar perplexo em ter visto os jogadores brasileiros frequentemente chorando em campo.

“Não sei quanta pressão os garotos do Brasil carregavam sobre os ombros”, disse Kahn.

“Mas ele não conseguiram lidar com isso. Esse time não tinha experiência suficiente para absorver a pressão nesse grande torneio em casa”, acrescentou. “Testemunhamos uma implosão coletiva do time brasileiro”, acrescentou.

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