Aldo defende reaproximação do Estado com futebol

quinta-feira, 10 de julho de 2014 16:14 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Estado precisa se reaproximar do futebol brasileiro para preservar e melhorar a estrutura de um esporte que é considerado uma paixão nacional, afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, nesta quinta-feira, dois dias depois de o Brasil ser humilhado pela Alemanha por 7 x 1 na Copa do Mundo em casa.

Para ele, o afastamento do Estado com o futebol se deu na redemocratização do país, na década de 1980, quando a sua presença era considerada uma herança do regime militar.

"O futebol brasileiro é uma das raras instituições surgida à margem do Estado e do mercado. O futebol surgiu pela força da sociedade e população, quando o Estado legislou pela primeira vez sobre a matéria, em 1940, o futebol já era uma realidade", disse o ministro a jornalistas após evento no Maracanã.

"Essa legislação foi aperfeiçoada, mas depois da redemocratização do país surgiu um clamor contra a presença do Estado dentro do mundo do esporte, especialmente no futebol; dizem que isso era coisa do regime militar que promovia intervenções", completou ele.

Segundo o ministro do Esporte, atualmente o futebol brasileiro está nas mãos de dirigentes e empresários e isso precisa ser modificado. O Estado como provedor de recursos e estruturas precisa de voz mais ativa, de acordo com Aldo.

"(Após a redemocratização) surgiu uma legislação que afastou o Estado e entregou praticamente ao mercado, grandes empresários e aos dirigentes que começaram a gerir o futebol sem qualquer interferência do Estado", declarou ele.

"Fui contra ao completo afastamento do Estado, porque esporte e futebol são matérias de interesse público. Hoje nós estamos promovendo esforço para rediscutir o tema e retomar algum protagonismo do Estado que ajuda a financiar o esporte de alto rendimento e amador, mas temos pouca ingerência na regulamentação e na gestão dos clubes", adicionou.

O objetivo, segundo Rebelo, não é interferir nos clubes e federações, mas garantir a sustentabilidade de clubes e instituições esportivas que representam o interesse nacional.

"Precisamos ter presença não para nomear interventor ou nomear presidente de federação ou clubes, mas o Estado tem que estar presente para preservar o interesse publico e nacional", disse ele ao lembrar que há no Congresso projetos de lei sobre o tema em debate.

"Queremos que clubes assumam responsabilidades ... que paguem as dívidas passadas e paguem as futuras, que possamos os apoiar, porque hoje, os clubes não têm acesso à lei de acesso ao Esporte porque não tem CND (Certidão Negativa de Débito)", finalizou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

 
Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, bebe água durante entrevista coletiva no Rio de Janeiro. 25/04/2014. REUTERS/Sergio Moraes