Vaticano minimiza rivalidade de papas na final da Copa

sexta-feira, 11 de julho de 2014 12:25 BRT
 

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Às vésperas do confronto entre Argentina e Alemanha na final da Copa do Mundo, o Vaticano minimizou nesta sexta-feira os rumores de rivalidade entre o papa Francisco, um argentino, e seu antecessor Bento 16, um alemão.

Em resposta à intensa especulação da mídia sobre a possibilidade de os dois verem a partida juntos, que chamou de “engraçada”, o Vaticano pediu aos torcedores que façam uma “pausa pela paz” antes da decisão de domingo para lembrar as vítimas da guerra e da pobreza.

Um funcionário do alto escalão do Vaticano, que trabalha com Francisco e com o papa emérito Bento 16, disse à Reuters que ainda não se tomou nenhuma decisão sobre como os dois passarão a noite de domingo.

Bento 16, notou a fonte, não gosta de futebol, mas acrescentou: “Vamos ver. A situação atual é inédita.”

O porta-voz do Vaticano disse não crer que Bento 16, atualmente com 87 anos e vivendo sua aposentadoria em reclusão em um ex-convento no Vaticano, assistirá ao jogo por causa do horário – em Roma a partida começa às 21h.

Já Francisco é fã de futebol. Ainda arcebispo de Buenos Aires, era torcedor entusiasmado do clube San Lorenzo, e foi membro honorário do time apelidado de Santos de Boedo, em função da vizinhança onde foi fundado em 1908 por um grupo de jovens que incluía um padre.

O Conselho de Cultura do Vaticano, que trabalha com esportes, classificou a especulação pré-jogo de “engraçada e divertida”, mas declarou que irá pedir um momento de silêncio no domingo para “pensar em coisas importantes” como a paz.

“Vamos fazer uma pausa pela paz”, disse o monsenhor Melcher Sánchez de Tosca y Alameda, subsecretário do conselho, anunciando a hashtag #PAUSEforPeace nas mídias sociais.

Sánchez se referia à tradição da Grécia antiga de interromper todos os conflitos durante os Jogos Olímpicos.

“Por que não para a Copa do Mundo? Por que não uma pausa, um momento de silêncio, uma trégua pela paz?”, indagou.

Um porta-voz do conselho disse que depende de cada torcedor, cada seleção e cada organização, incluindo a Fifa, se, como e quando querem observar um momento de “silêncio ou reflexão ou pausa” para lembrar os que estão sofrendo.

 
Papa Francisco (D) cumprimenta papa Bento 16 durante cerimônia na Basílica de São Pedro, no Vaticano. 22/2/2014.  REUTERS/Alessia Giuliani