ANÁLISE-Brasil chegou com a "mão na taça" e se despede sem rumo

sábado, 12 de julho de 2014 20:44 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Fosse a Copa do Mundo disputada fora do Brasil e os jogadores da seleção brasileira perderiam o rumo de casa com a melancólica despedida da equipe com duas derrotas seguidas e o frustrante 4º lugar.

A goleada de 7 x 1 contra a Alemanha na semifinal foi seguida por outra derrota pesada neste sábado, por 3 x 0 contra a Holanda, na disputa de 3º lugar, totalizando inacreditáveis 10 gols sofridos em apenas duas partidas.

"Agora é difícil porque a gente, eu posso dizer, sai até meio perdido", reconheceu o volante Ramires depois do jogo contra a Holanda.

As duas goleadas aconteceram sem Neymar em campo, evidenciando a dependência que o time tem de seu único craque, que despediu-se mais cedo da Copa do Mundo após fraturar uma vértebra nas quartas de final contra a Colômbia.

Apesar disso, não se pode afirmar que os resultados seriam diferentes se o camisa 10 estivesse jogando, diante de tantos erros cometidos pela equipe: falhas defensivas, meio-campo frágil, falta de criatividade e a ineficiência da tática com um centroavante isolado.

Ninguém podia imaginar um fim assim para a seleção brasileira na segunda Copa do Mundo realizada no país, 64 anos após a derrota na final de 1950 para o Uruguai, especialmente após a conquista do título da Copa das Confederações do ano passado, com uma vitória de 3 x 0 sobre a então campeã mundial Espanha.

O otimismo pré-Copa era tamanho que o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira afirmou que a seleção já estava com "uma mão na taça" antes mesmo de entrar em campo neste Mundial. Faltou, no entanto, comprovar isso dentro de campo.

A derrota contra a Holanda derrubou o argumento de Parreira e do técnico Luiz Felipe Scolari de que a goleada contra a Alemanha aconteceu devido à uma "pane" de seis minutos no primeiro tempo em que o time levou quatro gols.   Continuação...

 
Técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, durante jogo contra a Holanda em Brasília. 12/07/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino