Meta de Putin é colocar a Rússia em destaque com Mundial de 2018

segunda-feira, 14 de julho de 2014 13:55 BRT
 

Por Timothy Heritage e Dmitriy Rogovitskiy

MOSCOU (Reuters) - Guindastes enormes estão instalados sobre o estádio de Moscou, onde a Rússia vai sediar a final da Copa do Mundo de 2018, e montes de terra, canos e cabos se empilham sobre o espaço que no futuro será destinado ao gramado.

Pouco restou do original estádio Luzhniki, exceto suas paredes externas e uma estátua do líder comunista Vladimir Lenin do lado de fora, enquanto a Rússia se prepara para converter a relíquia da era soviética em uma arena de última geração.

Instalado às margens do rio Moskva, o estádio simboliza a grande transformação que o presidente Vladimir Putin quer destacar com a Copa do Mundo --a evolução da Rússia desde a época soviética em um Estado moderno, merecedor de uma posição central na orquestra das nações.

É uma aposta arriscada.

Os Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Sochi este ano expuseram casos de corrupção, nepotismo e superfaturamento na Rússia, além de ter ressaltado o histórico fraco do país em termos de democracia e direitos dos homossexuais.

A experiência do Brasil em sediar o Mundial de 2014 também se mostrou um choque de realidade, com o foco na construção de estádios em vez de investimentos em serviços públicos tendo provocado manifestações nas ruas, enquanto a derrota da seleção em campo deixou um sabor amargo aos torcedores.

O Kremlin conseguiu impedir a realização de protestos em Sochi durante a Olimpíada, tolerando manifestações somente em uma área designada, longe dos eventos esportivos, numa proibição velada que será difícil de repetir nas 11 cidades em que vai ser sediada a Copa.

Putin vai estar particularmente vulnerável aos protestos em Moscou e São Petersburgo, cenário das maiores manifestações durante a onda de protesto contra o presidente no inverno de 2011/2012.   Continuação...

 
Vista geral do estádio Luzhniki, em Moscou. 14/7/2014  REUTERS/Sergei Karpukhin