PERFIL-Dunga foi do céu ao inferno na seleção como jogador e técnico

terça-feira, 22 de julho de 2014 12:08 BRT
 

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Dunga ganhou uma segunda chance como técnico da seleção brasileira quatro anos depois de falhar na Copa do Mundo da África do Sul, num roteiro de glórias e fracassos, de liderança e teimosia, que repetiu sua trajetória como jogador.

Antes do Mundial de 2010, a equipe brasileira tinha conquistado os principais torneios que disputou, a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009, além de ter terminado as eliminatórias sul-americanas em primeiro lugar e do bronze nos Jogos Olímpicos de 2008.

Na Copa do Mundo, no entanto, o time comandado por Dunga tomou a virada da Holanda no segundo tempo das quartas de final e não teve forças para reagir, em jogo que ficou marcado pela expulsão do volante Felipe Melo --criticado pela torcida mas bancado pelo treinador-- e pelo erro na saída de bola do goleiro Julio Cesar.

"Eu acho que a gente tem que ser realista para analisar. Não pode analisar pela simpatia. O trabalho que ele fez foi muito bom... Até o meio tempo da Holanda estava perfeito o trabalho. É que em 45 minutos mudou toda a vida dele e da seleção brasileira", disse o técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, no fim de semana.

Mas houve questionamentos sobre as escolhas de Dunga para o Mundial da África do Sul, uma vez que ele levou Grafite e deixou de convocar Paulo Henrique Ganso e Neymar, que estavam despontando como promessas no Santos, refletindo algumas das características pelas quais o técnico é conhecido: a teimosia e liderança.

Gaúcho de Ijuí, Dunga, com 50 anos, também não costuma ser uma pessoa afável. No trato com os jornalistas, prefere ser rude, e não tem apoio entre os torcedores, tanto que seu nome nem foi citado em pesquisa Datafolha da semana passada sobre quem deveria substituir Luiz Felipe Scolari. Tite foi o preferido.

Depois de deixar o comando do Brasil, Dunga, que iniciou sua carreira de treinador justamente na seleção, em 2006, teve uma passagem sem brilho pelo Internacional, onde conquistou o título do Campeonato Gaúcho em 2013, mas acabou demitido do clube onde começou como jogador por causa dos maus resultados no Campeonato Brasileiro.

Conhecido por ser um profissional sério e dedicado, ainda tem pouca experiência como técnico, apesar dos quatro anos que comandou a seleção.   Continuação...

 
Dunga, que volta ao comando da seleção brasileira, durante entrevista à imprensa no Rio de Janeiro.  22/7/2014.  REUTERS/Ricardo Moraes