Jogadoras de futebol dizem à Fifa que Copa do Mundo em grama artificial é discriminação

quarta-feira, 6 de agosto de 2014 19:38 BRT
 

TORONTO (Reuters) - Algumas das principais jogadoras de futebol do mundo afirmaram que a proposta da Fifa de disputar a Copa do Mundo feminina de 2015 no Canadá em campo artificial, em vez de grama, é discriminatória e viola os direitos humanos.

Os Mundiais para homens e mulheres, disputados a cada quatro anos, sempre foram jogados em grama natural. Jogadores e treinadores acreditam que há um risco maior de lesão em campo artificial e que ele causa mais desgaste nos corpos dos atletas.

Em uma carta de três páginas datada de 28 de julho à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e à Associação Canadense de Futebol, os advogados que representam jogadoras de Alemanha, Brasil, México, Espanha, Estados Unidos, Nova Zelândia e Costa Rica, entre outros países, disseram: "A proposta é discriminatória e viola a lei canadense."

"Se sua organização não se envolver em um diálogo significativo sobre como corrigir o tratamento discriminatório em relação às jogadoras, estamos preparados para prosseguir com uma ação judicial que estamos confiantes que terá sucesso", diz a carta.

Um porta-voz da Fifa confirmou o recebimento da carta, mas se recusou a comentar. A Associação Canadense de Futebol também não quis fazer comentários e remeteu o assunto à Fifa.

Na carta, as jogadoras, incluindo a norte-americana Abby Wambach e a alemã Nadine Angerer, eleitas as melhores de 2012 e 2013, respectivamente, disseram que podem sugerir "várias maneiras acessíveis" de realizar o torneio na grama.

A Copa do Mundo de 2014 no Brasil foi disputada na grama e não há planos para mudar torneios masculinos futuros para campo artificial.

O Canadá vai sediar a Copa do Mundo feminina em junho e julho de 2015, em seis cidades - Vancouver, Edmonton, Winnipeg, Ottawa, Montreal e Moncton, onde estádios com campo artificial predominam.

(Reportagem de Andrea Hopkins)