COI saúda resolução 'histórica' da ONU sobre autonomia no esporte

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 11:08 BRST
 

BERLIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) saudou uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece a autonomia do esporte como uma ferramenta importante para ajudar a fomentar a neutralidade política e reduzir boicotes e discriminações.

A resolução adotada na Assembleia Geral da ONU afirma apoiar a independência e a autonomia do esporte, assim como a missão do COI de liderar o Movimento Olímpico, grupo de entidades que coordenam atividades relacionadas ao maior evento esportivo do mundo.

“Acolhemos com entusiasmo esta resolução como um marco histórico nas relações entre o esporte e a política”, declarou o presidente do COI, Thomas Bach, em um comunicado nesta segunda-feira.

“Devemos formar parcerias com organizações políticas baseadas neste reconhecimento da autonomia do esporte”, disse Bach, que passou parte considerável de seus 13 meses no cargo estimulando laços mais fortes com políticos globais.

“As excelentes relações entre a ONU e o COI podem, no tocante a isto, servir como um exemplo para as relações no nível nacional entre Comitês Olímpicos Nacionais e governos nacionais. Este relacionamento com os governos exige que o esporte sempre seja politicamente neutro”, acrescentou.

O COI anseia em ver a auto-governança reforçada para evitar qualquer interferência em organismos olímpicos nacionais, sobre os quais vem tendo e pretende continuar a ter controle isolado.

Desavenças políticas passadas interferiram na Olimpíada, a mais famosa delas o mútuo boicote dos Estados Unidos e da ex-União Soviética aos seus respectivos Jogos de Moscou em 1980 e de Los Angeles quatro anos depois.

A resolução ainda afirmou que qualquer forma de discriminação é incompatível com o Movimento Olímpico. O COI, criticado por conta da lei anti-propaganda gay aprovada na Rússia às vésperas da Olimpíada de Inverno de Sochi deste ano, também incluiu uma cláusula anti-discriminação em seu contrato para futuros candidatos a sediar Olimpíadas.

(Por Karolos Grohmann)

 
Presidente do COI, Thomas Bach, empunha bandeira olímpica durante cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos da Juventude em Nanjing. 28/08/2014. REUTERS/Aly Song