Chefe de polícia em tragédia de estádio Hillsborough assume erro que matou 96 pessoas

terça-feira, 17 de março de 2015 16:56 BRT
 

LONDRES (Reuters) - O comandante da polícia responsável pela segurança de um jogo de futebol em que 96 torcedores do Liverpool morreram na Inglaterra em 1989 disse nesta terça-feira em um interrogatório que o seu fracasso em fechar um túnel “foi a causa direta” dos óbitos.

A BBC noticiou que o ex-superintendente-chefe David Duckenfield admitiu ter “congelado” no momento da tragédia, durante uma partida pela semifinal da Copa da Inglaterra disputada em abril de 1989 entre o Liverpool e o Nottingham Forest no estádio Hillsborough, em Sheffield.

Duckenfild prestava depoimento na investigação sobre a tragédia de Hillsborough em Warrington, onde disse a jurados que teve ao menos três minutos para “considerar as consequências” de abrir um dos portões do estádio no momento em que uma multidão de torcedores se aglomerava do lado de fora.

Mas ele afirmou que “não tinha ideia” que os torcedores do Liverpool se dirigiriam para um túnel que levava às arquibancadas já lotadas em uma das áreas centrais do estádio.

O advogado e conselheiro da rainha Paul Greaney, representante da Federação Policial da Inglaterra e País de Gales, fez cinco afirmações diretamente relacionadas à abertura do túnel, todas assentidas por Duckenfeld, que disse “sim” após cada uma.

“Pessoas morreram esmagadas nas áreas centrais”, disse Greaney.

“Se as pessoas não tivessem descido pelo túnel, essas mortes teriam sido evitadas.”

“Fechar o túnel teria prevenido as mortes”, afirmou Greaney.

“Você falhou em reconhecer a necessidade de fechar o túnel”, acrescentou. “A falha foi a causa direta daquelas 96 mortes”, concluiu Greaney.   Continuação...

 
Ex-superintendente-chefe da polícia David Duckenfield após audiência em Warrington.   REUTERS/Phil Noble