Mudança em estádio é outra reviravolta em preparações problemáticas de Tóquio para Olimpíada

quarta-feira, 20 de maio de 2015 10:51 BRT
 

(Reuters) - Tóquio convenceu o Comitê Olímpico Internacional (COI) de que os Jogos Olímpicos de 2020 estariam em mãos seguras na capital japonesa. As proezas organizacionais do Japão e um fundo 4,5 bilhões de dólares deram ao país uma clara vantagem sobre Madri e Istambul, cidades rivais na disputa para sediar a Olimpíada.

Mas cinco anos antes de o maior evento esportivo do mundo retornar a Tóquio pela primeira vez desde 1964, as preocupações com estouros de orçamento dos custos de construção forçaram os organizadores a mudanças drásticas, que irão resultar em Jogos muito diferentes do prometido.

O aumento dos custos da mão de obra e da construção levou a administração da cidade a repensar os seus planos para 10 instalações previstas para os Jogos, renegando um compromisso feito durante a candidatura de sediar a maioria dos eventos dentro de um raio de 8 quilômetros da vila olímpica. O COI disse em fevereiro que os organizadores iriam mudar ou alterar três locais, economizando cerca de 1 bilhão de dólares, e que haveria mudanças e medidas de corte de custos.

O ministro de Esportes do Japão, Hakubun Shimomura, disse esta semana que, por medida de economia, o novo Estádio Nacional de Tóquio, o ponto central dos Jogos Olímpicos de 2020 e da Copa do Mundo de rúgbi em 2019, irá abandonar os planos de construir um teto retrátil.

Após a candidatura de Tóquio ter sido bem-sucedida em 2013, os planos têm sido alvo de críticas por causa de estimativas de custos elevados e falta de harmonia com a paisagem urbana no entorno. Shimomura também declarou na terça-feira que a cidade terá de arcar com uma parte financeira maior do estádio e pediu ao governo metropolitano de Tóquio que custeie um terço do projeto de cerca de 150 bilhões de ienes (1,2 bilhão de dólares).

O governador de Tóquio, Yoichi Masuzoe, criticou na terça-feira o modo como o governo lida com os preparativos dos Jogos, comparando-o às tentativas do Exército Imperial Japonês de esconder os problemas e dizer a população o que ela queria ouvir durante a Segunda Guerra Mundial.

(Reportagem de Peter Rutherford, em Seul)

 
Yoshiro Mori, ex-premiê do Japão e presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. 08/12/2014 REUTERS/Eric Gaillard