Torcedores da América Latina comemoram ofensiva contra corrupção na Fifa

quarta-feira, 27 de maio de 2015 20:13 BRT
 

Por Caio Saad e Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Como se perder a Copa do Mundo para a Europa em casa pela primeira vez não fosse suficiente, o futebol da América Latina agora enfrenta mais uma humilhação, após alguns de seus mais poderosos executivos terem sido presos em uma operação internacional de combate à corrupção.

Embora torcedores locais tenham ficado entristecidos em não ver uma das seleções latino-americanas vencer a Copa do Mundo do Brasil no ano passado, eles vibraram com as inéditas prisões e investigações anunciadas nesta quarta-feira. 

“Isso deveria ter acontecido há muito tempo!”, disse o jornaleiro Wilson Suares, de 66 anos, no Rio de Janeiro, cidade foi sede da final da Copa do Mundo de 2014, vencida pela Alemanha.

“Essas pessoas só pensam em roubar”, disse ele, uma visão ecoada nas ruas e no Twitter por toda a região.

Torcedores latino-americanos há tempos criticam os chamados “cartolas” do futebol, em meio ao grande descontentamento público com a corrupção no esporte. Um forte sentimento de contra a Fifa fez parte dos grandes protestos no Brasil em 2013.

Sete dos mais conhecidos dirigentes de futebol da região foram detidos na Suíça nesta quarta-feira e enfrentam possível extradição para os Estados Unidos. 

Autoridades norte-americanas disseram que as investigações expõem complexos esquemas de lavagem de dinheiro, milhões de dólares em renda não tributada e dezenas de milhões mantidos em contas internacionais por representantes da Fifa. 

Foram presos José Maria Marín, ex-presidente da CBF; Jeffrey Webb, vice-presidente da Fifa, presidente da Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe) e chefe de futebol das Ilhas Cayman; Eduardo Li, que comanda a federação de futebol da Costa Rica; Júlio Rocha, chefe da federação da Nicarágua; Eugênio Figueredo, outro vice-presidente da Fifa que já foi chefe do futebol no Uruguai; Rafael Esquivel, chefe do esporte na Venezuela; e Costas Takkas, outro representante da Concacaf.   Continuação...