África do Sul confirma pagamento de US$10 milhões a dirigente da Fifa, mas nega suborno

quarta-feira, 3 de junho de 2015 11:23 BRT
 

Por Mark Gleeson

JOHANESBURGO (Reuters) - A África do Sul confirmou nesta quarta-feira que deu 10 milhões de dólares para ajudar a pagar pela Copa do Mundo de 2010 a um dirigente de futebol indiciado na semana passada pelos Estados Unidos, mas disse que o pagamento não foi um suborno, como alegam os promotores norte-americanos.

O ministro do Esporte sul-africano, Fikile Mbalula, confirmou o conteúdo de uma carta vazada da Associação de Futebol da África do Sul, a qual afirma que dinheiro originalmente destinado à organização do Mundial de 2010 foi pago diretamente ao ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner.

Mas Mbalula afirmou que jamais houve a intenção de usar o pagamento como propina para garantir o direito de sediar o torneio, como descrito no indiciamento das autoridades dos EUA, mas oferecido como doação para apoiar a construção de um centro de futebol para pessoas de origem africana no Caribe.

“Negamos categoricamente que nosso país e nosso governo subornaram alguém para receber o direito de sediar a Copa do Mundo de 2010. Era um programa aprovado, e não entendemos por que isto agora está sendo interpretado como suborno”, afirmou Mbalula em coletiva de imprensa.

Warner, ex-chefe da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), é um dos 14 dirigentes e empresários indiciados na semana passada em uma investigação de fraude conduzida pelos EUA que abalou o mundo do futebol. O ex-presidente da CBF José Maria Marin também está entre os indiciados e foi preso na Suíça.

O indiciamento afirma que a África do Sul pagou 10 milhões de dólares a Warner em propina para poder sediar o Mundial de cinco anos atrás. A Fifa confirmou ter pago esse valor à União Caribenha de Futebol, organismo então presidido por Warner, com fundos originalmente destinados à África do Sul para ajudar a nação a preparar a competição.

O indiciamento do Departamento de Justiça norte-americano alegou que Warner e outros membros da Concacaf integrantes do comitê executivo da Fifa procuraram dividir o montante em troca de seus votos. O documento detalha como 750 mil dólares foram pagos ao secretário-geral da Concacaf, Chuck Blazer, que também estava no comitê executivo da Fifa na ocasião. Blazer se declarou culpado das acusações de corrupção feitas pelos Estados Unidos.

 
Ministro dos Esportes da África do Sul, Fikile Mbalula, em entrevista coletiva em Johanesburgo. 03/06/2015 REUTERS/Siphiwe Sibeko