Parlamento da Suíça vota lei para investigar Fifa e outras entidades esportivas

quarta-feira, 3 de junho de 2015 15:03 BRT
 

Por Stephanie Nebehay

BERNA (Reuters) - Legisladores suíços aprovaram nesta quarta-feira de forma preliminar uma lei que facilita a investigação de alegações de corrupção em entidades esportivas sediadas no país, uma votação que coincidiu com o pior escândalo que já afetou a Fifa.

A lei poria fim a um sistema segundo o qual a Fifa, e cerca de 60 outras organizações esportivas localizadas na Suíça, tem imunidade contra inquéritos de autoridades suíças quando casos de corrupção são considerados assuntos internos sem impacto no interesse público em geral.

A nova norma afetaria organismos como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a União Internacional de Ciclismo, mas está tão intimamente associada à entidade reguladora do futebol mundial que foi apelidada de “Lex Fifa” (“Lei da Fifa”), devido aos temores já antigos de que escândalos na organização sediada em Zurique eventualmente afetariam a reputação internacional da Suíça.

Roland Buechel, político de direita do Partido do Povo Suíço que liderou a campanha para aumentar a supervisão das entidades esportivas, disse: “Hoje o Senado votou e decidiu que a corrupção como a conhecemos no caso da Fifa será um delito criminal”.

Na semana passada, as autoridades suíças iniciaram uma investigação sobre a concessão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar, respectivamente, feita pela Fifa. O fato se deu no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma investigação sobre supostas irregularidades financeiras que estariam acontecendo na entidade há mais de duas décadas.

O escândalo levou o outrora inabalável presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, de 79 anos, a renunciar na terça-feira, e fontes disseram à Reuters e à mídia dos EUA que ele mesmo está sendo investigado pelas autoridades norte-americanas, algo que não foi confirmado formalmente.

O procurador-geral suíço, que está averiguando as campanhas vencedoras das sedes dos dois próximos Mundiais, louvou o progresso do projeto de lei. “É claro que seria útil ter uma base legal para estar em posição de lidar com qualquer forma de suborno e corrupção internacionais de uma forma mais eficiente”, afirmou André Marty, porta-voz do procurador-geral.