ESTREIA–“Tomorrowland” reúne George Clooney e Hugh Laurie numa ficção retrô e otimista

quarta-feira, 3 de junho de 2015 15:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível” parece ser um filme sobre o futuro, mas, na verdade, é uma extravagância nostálgica com os ingredientes típicos da Disney – o que chega a ser paradoxal, afinal, boa parte do público a quem o filme se destina não viveu ou sequer conhece a época em que é inspirado.

Assim, como é comum nas narrativas nostálgicas, o passado dá uma sensação de segurança que o presente não permite, mas que pode servir de modelo para o futuro.

Dirigido por Brad Bird (“Os Incríveis”, “Missão: Impossível - Protocolo Fantasma”) – a partir de um roteiro escrito por ele e Damon Lindelof –, o longa injeta doses cavalares de otimismo.

Mas debaixo do verniz açucarado, algo praticamente obrigatório nos filmes da Disney, há questões interessantes sendo levantadas – se o filme dá conta delas ou não, é outra coisa.

Bird toca num ponto nevrálgico do mundo contemporâneo: a destruição do planeta e como isto está se voltando contra os humanos. As causas que explicam essa dinâmica, aqui, são um tanto ingênuas: nada têm a ver com o consumismo desenfreado. Basicamente, a aniquilação do mundo é culpa do lado mesquinho da natureza humana.

Em todo caso, o diretor e roteirista parece ter feito algumas concessões para poder fazer o filme mais ou menos como imaginou. E o mundo de Tomorrowland é uma utopia perfeitinha demais para ser verdadeira em seu próprio universo paralelo.

Primeiro a vemos pelos olhos do pequeno Frank Walker (Thomas Robinson), garoto precoce cuja invenção, uma mochila com propulsores para voar, é esnobada na Feira Mundial de 1964.

Nesse mesmo lugar, ele conhece Athena (Raffey Cassidy) que lhe dá um broche que serve de entrada para Tomorrowland. O lugar escondido, onde estão as mentes mais brilhantes e invenções inacreditáveis, o fascina.

Anos mais tarde, será nas mãos de Casey (Britt Robertson) que veremos esse mesmo adereço. Ela, no entanto, desconhece Tomorrowland, e é com a jovem que se descobre melhor o lugar. Sua guia é novamente Athena (que, estranhamente, não envelhece, mesmo passadas algumas décadas).   Continuação...