CPI do futebol colocará foco na Nike e em outros patrocinadores

sexta-feira, 5 de junho de 2015 12:50 BRT
 

Por Brad Haynes e Anthony Boadle

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A Nike e outras grandes companhias internacionais estarão na mira de uma investigação sobre o papel influente que exercem no futebol brasileiro, como parte dos esforços do ex-jogador e atual senador Romário (PSB-RJ) de expor o que descreve como contratos de marketing suspeitos e ligações a pagamentos corruptos.

Romário, que comandou o Brasil na conquista da Copa do Mundo de 1994 usando chuteiras da gigante norte-americana de material esportivo, está à frente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre acordos de patrocínio no futebol, após as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que abalaram o mundo do futebol.

Três brasileiros estão entre os acusados no indiciamento norte-americano, incluindo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.

Romário e procuradores brasileiros não acusaram a Nike de ter feito qualquer coisa ilegal, apesar de o acordo de 160 milhões de dólares da companhia firmado em 1996 para patrocinar a seleção brasileira estar ligado a supostas propinas, de acordo com a acusação dos Estados Unidos divulgada na semana passada.

A Nike não está entre os acusados, mas só há uma companhia que se encaixa com a descrição dos procuradores norte-americanos. Em nota na última semana, a Nike informou que as acusações não alegam que a empresa participou de condutas criminais ou que seus empregados estavam envolvidos ou conscientes de subornos.

Romário, principal voz no país em defesa de reformas no futebol, cuja fama em campo impulsiona sua influência, diz que deseja investigar tal acordo de patrocínio para averiguar se o contrato foi usado para desviar dinheiro para dirigentes e exercer influências indevidas no esporte.

A CPI, que deverá ser instalada na próxima semana, terá o poder de intimar testemunhas e obter registros bancários e contratos privados, mas não poderá emitir mandados de busca ou apreensão.

Entre as companhias cujos acordos de patrocínio com a seleção brasileira nos últimos anos devem ser analisados estão a TAM, parte da Latam Airlines, e a Ambev, atualmente subsidiária da Anheuser-Busch InBev.   Continuação...

 
Logomarca da fabricante de materiais esportivos Nike em fachada de loja em São Paulo. 28/05/2015 REUTERS/Paulo Whitaker