Expectativa de Rio mais seguro é abalada a um ano da Olimpíada

quarta-feira, 24 de junho de 2015 12:14 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quando tiros foram disparados no mês passado durante o primeiro confronto em sete anos entre a polícia do Rio de Janeiro e supostos traficantes do morro Santa Marta, a reputação do local como favela pacificada com vistas deslumbrantes e uma noite de samba famosa desmoronou.

Ninguém ficou ferido no incidente ocorrido na favela da zona sul carioca habitada por 6 mil pessoas, mas o tiroteio fez muitos questionarem se o programa de pacificação de comunidades, do qual o Santa Marta era uma favela modelo, não está perdendo ímpeto um ano antes da chegada de meio milhão de visitantes para a Olimpíada de 2016.

O incidente, que ocorreu na esteira das mortes de um ciclista e de um turista alemão a facadas em assaltos, despertou temores de que, depois de anos de progresso, a violência esteja voltando a crescer na cidade.

“Estou com medo de que as coisas voltem a ser como antes”, disse Aldinho, que se recusou a dar o sobrenome por receio de consequências, enquanto servia cervejas em uma barraca nas escadas do Santa Marta.

Os dados oficiais confirmam essa visão. No ano passado, o número de assaltos na capital fluminense aumentou 25 por cento, o maior aumento desde que os registros começaram a ser feitos em 1991. A tendência se mantém – um crescimento de 10 por cento foi registrado nos três primeiros meses de 2015.

O aumento do desemprego, o baixo moral da polícia e o sentimento crescente de desesperança entre os pobres estão contribuindo para o agravamento da violência, na opinião de especialistas em segurança e desenvolvimento.

A tendência é triste para uma cidade que esperava aproveitar a Copa do Mundo do ano passado e a Olimpíada para se tornar mais segura. O Mundial de 2014 realizado em 12 cidades brasileiras transcorreu praticamente sem incidentes, após as manifestações de rua e a repressão que o antecederam.

“Os anos durante os quais a segurança melhorou foram os anos durante os quais a economia estava forte, a vida das pessoas estava melhorando e elas tinham esperança”, disse Theresa Williamson, líder das Comunidades Catalíticas, instituição de caridade que trabalha com moradores de favela. “Agora isso está desaparecendo”, disse.   Continuação...

 
Ciclista passando por placas de protesto contra a violência na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.    24/06/2015    REUTERS/Sergio Moraes