Del Nero perdeu condições de comandar CBF, diz primeiro vice na linha sucessória

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015 14:26 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente licenciado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, não tem mais condições de permanecer à frente da entidade após o indiciamento do dirigente na Justiça dos Estados Unidos, disse nesta sexta-feira Delfim Peixoto, vice-presidente mais velho da confederação e primeiro na linha sucessória de Del Nero.

Segundo Peixoto, que é presidente da Federação Catarinense de Futebol e faz oposição a Del Nero, as denúncias que forçaram o licenciamento do presidente da entidade “são graves, lamentáveis e precisam ser apuradas”.

"Isso que está acontecendo não é bom para o futebol brasileiro", disse o vice-presidente em entrevista à Reuters pelo telefone.

“Acho que fica difícil ele permanecer. É difícil tocar o futebol brasileiro na situação como está”, acrescentou.

O presidente da CBF se licenciou do cargo na quinta-feira, dia em que um procedimento foi aberto contra ele no comitê de ética da Fifa e em que o dirigente foi indiciado na Justiça dos Estados Unidos acusado de receber propina em contratos ligados a competições no Brasil e na América do Sul.

Del Nero foi eleito presidente da CBF no ano passado, mas assumiu o cargo em abril deste ano ao suceder o presidente José Maria Marin, que foi preso em maio na Suíça junto com outros dirigentes do futebol mundial na maior operação já feita contra a corrupção neste esporte.

Peixoto não esconde o desejo de assumir o comando da entidade que comanda o esporte no país. Como vice mais velho da CBF, de acordo com o estatuto da entidade, ele assumiria o posto em caso de saída em definitivo de Del Nero.

“Você sabe que quem está no mundo do futebol tem que aceitar qualquer missão", disse, para em seguida questionar: “quem não gostaria de ser (o presidente da CBF)?”   Continuação...

 
Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Marco Polo Del Nero, chega para entrevista coletiva na sede da entidade  no Rio de Janeiro. 22/10/2015 REUTERS/Sergio Moraes