Fantasma de Grondona ronda federação argentina de futebol após farsa eleitoral

sábado, 5 de dezembro de 2015 17:23 BRST
 

BUENOS AIRES (Reuters) - A sombra do falecido Julio Grondona paira sobre a Associação de Futebol Argentina (AFA) após uma eleição presidencial na entidade que deixou dois adversários na disputa pela sucessão empatados e discutindo sobre qual passo tomar em seguida.

A primeira eleição democrática na AFA em 36 anos, na qual os 75 membros da assembleia da AFA tiveram direito a voto, terminou na descoberta de uma farsa, na quinta-feira, quando a contagem revelou que uma cédula a mais provocou um empate entre os candidatos, cada um recebendo 38 votos.

"Ele (Grondona) depositou o voto extra", foi o comentário irônico do filho de Grondona, também chamado Julio e membro da assembleia como presidente do clube de primeira divisão Arsenal, fundado por seu pai em 1956.

Grondona pai, que morreu aos 82 anos em julho do ano passado, presidiu a AFA por 35 anos após ter sido reeleito oito vezes sem enfrentar grandes opositores.

A eleição foi realizada num momento de crise para o futebol latino-americano, com dezenas de cartolas indiciados em uma investigação nos Estados Unidos sobre corrupção na Fifa, e ocorreu no mesmo salão da sede da AFA em que Grondona foi velado. 

O atual presidente, Luis Segura, que assumiu após a morte de Grondona, está enfrentando Marcelo Tinelli, um empreendedor, produtor de TV e apresentador.

Os adversários concordaram em se reunir na segunda-feira para debater os detalhes de uma nova votação antes do final do ano.

Tinelli, de 55 anos, é 18 anos mais jovem do que Segura e busca expurgar a antigo estilo "Grondona" de gestão.

Ele disse que o escândalo na eleição era uma clara indicação da necessidade de uma mudança urgente.

"Não estamos motivados por ambição pessoal, mas por convicção de que nós, argentinos, não merecemos um espetáculo como esse", disse Tinelli aos milhões de espectadores de seu programa de TV "Showmatch", exibido na sexta-feira à noite.

(Por Rex Gowar)